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Xamãs modernos reúnem-se no Brasil

Encontro internacional une estudiosos e líderes espirituais interessados em tradições de povos nativos
Bruno Torres
24/10/15

"Tendas de suor", fogueiras, cânticos, tambores, “plantas de poder”, cerimônias do sol, do fogo, de curas, leitura da lua e posição dos planetas para o plantio não são rituais praticados apenas por povos indigenas. Pessoas de diversas origens conhecem e aplicam as ferramentas usadas pelos xamãs. Do dia 1º a 4 de maio, líderes espirituais, acadêmicos e artistas do continente americano irão se reunir no Encontro Internacional das Nações Xamânicas em São José do Rio Preto, a cerca de 450km de São Paulo.  

Xamãs são líderes de povos tribais, também conhecidos como pajés, que teriam a capacidade de entrar em transe, fazer contato com as forças do mundo espiritual e canalizá-las até o mundo material. Quem não nasce nessa cultura e adere ao xamanismo busca saúde, alimentação equilibrada, arte e valorizar o contato com a terra. Em comum, eles procuram preservar e desenvolver a capacidade de se relacionar com a Mãe Terra, buscando se expressar da maneira mais condizente com a cultura de respeito à natureza e aos seres que nela convivem.

Tradição ancestral

Há quem diga que o xamanismo pertence aos índios americanos, no entanto, a história, através da ciência, prova que desde a época paleolítica o ser humano já possuía hábitos que delatavam um comportamento impregnado de rituais em relação à terra, aos animais e aos seres de outras dimensões.

“Quando pensamos em xamanismo, logo pensamos em índio; parece que tem um mecanismo automático de ligação com índio. O nome xamanismo surge na Ásia, entre os tungs (Sibéria), entre os mongóis”, explica Alexandre Tadeu, sacerdote e diretor do Instituto Céu de Capella, um dos idealizadores e organizadores do Encontro Internacional das Nações Xamânicas (Einx).

“Lá, a temperatura chega a -50° C, não tem índio, não tem plantas de poder. Os antropólogos que lá estiveram, encontraram homens que eram diferentes de tudo o que eles conheciam, daí começaram a denominá-los de xamãs. Essa figura que era conselheiro, sacerdote, apaziguava os conflitos e possuía algumas artes de transformar o próprio corpo em animais, eram figuras extraordinárias. Esse mesmo padrão se repetia em todo o planeta: na Ásia, na África, na Europa, nas Américas, cada um com seus deuses, seus rituais, suas maneiras”, explica Alexandre. 

Para Alexandre Tadeu (foto), o evento existe para fazer com que as pessoas melhorem a qualidade de vida 

Respeito ao ambiente

O relacionamento com a  natureza é fundamental para os povos nativos. Como diz o chefe Seattle em 1854 na famosa carta ao presidente norte-americano Franklin Pierce: “Somos parte da Terra e ela é parte de nós. Tudo o que acontece a Terra, acontece aos filhos da Terra.”

O cultivo de alimentos, seu preparo, a preservação natural da saúde, as celebrações com música e dança, enfim, todas as atividades cotidianas apresentavam um aspecto espontâneo de reverência à Mãe Terra e de comportamento participativo. “A sabedoria está no fazer, no ser. Diferente do acreditar, que pode estagnar a pessoa no processo de aprendizado, de informação, de excesso de conhecimentos, sem alavanca-la ao próximo estágio, que é o praticar, vivenciando aquilo que aprendeu na teoria.”, explica o sacerdote.

“Desta forma, não queremos que o evento seja um fim em si, nem que cada cerimônia seja um fim em si, mas que, além de informar a existência de outras possibilidades, possa fazer com que as pessoas experimentem, sintam, reflitam e optem por melhorar a qualidade de vida da maneira que mais lhe convém”, continua.

Xamãs modernos

Um número crescente de interessados na relação reverente com a terra (através de práticas de agricultura), com o alimento (culinária), com a saúde física e espiritual, tenta resgatar as tradições ancestrais como um caminho de vida. Nesse contexto, o xamanismo reaparece com força, reavivando costumes que têm tudo a ver com as necessidades de um planeta em tempos de renovação.

Os povos nativos se alimentavam principalmente dos produtos da terra. Para plantar e colher, orientavam-se com as mudanças da lua, das estações climáticas, entre outras efemérides planetárias. Alexandre Tadeu exemplifica: “Aqui no Céu de Capella, onde seguimos os conhecimentos dessas tradições, assim como outras comunidades ligadas a esses ensinamentos, temos a horta como instrumento de transformação. Procuramos ter um alimento que respeita o meio ambiente, que não usa agrotóxicos, que é tratado com carinho. A pessoa vem aqui sabendo que tem agricultura saudável e acaba querendo saber como se faz. Ela vem, transita por aqui e começa a absorver um conhecimento que, gradualmente, vai transformando sua qualidade de vida.”

Além de prover os alimentos, a horta do Céu de Capella é usada como um instrumento de transformação

Tadeu explica o propósito do evento: “O Einx é para que as pessoas possam amar a natureza? É para que as pessoas possam conhecer os índios? É para reunir e desfilar pessoas renomadas? Qual a finalidade disso? Não estaremos aqui para convencer ninguém, mas para provocar a necessidade da investigação do que é crença, do que é acreditar, do que é sabedoria.” E complementa: “Acreditar se é possível ou não mudar o mundo, não é mudar o mundo. A pessoa só acredita quando não sabe. Porque quando ela sabe, não precisa acreditar, ela sabe, ela faz.”

O que vai ter?

O evento conta com várias atividades na programação como palestras, workshops,cerimônias e shows. Personalidades nacionais e internacionais vêm ao encontro para debater os temas. "Eu gostaria de destacar meu amigo, o doutor Alberto Gonzalez, um grande médico cirurgião e conhecedor das plantas de poder, um autêntico xamã. Seu trabalho com a alimentação viva revela muita sabedoria da terra. O doutor Alberto virá e trará uma pessoa muito especial da Alemanha, um verdadeiro druida”, diz Tadeu. 

Entre os organizadores do encontro também estão o escritor e pesquisador mexicano Fernando Salazar Bañol, além de Don Valerio Cohaila, curandeiro e sacerdote aymara. 

Fernando Bañol (à esquerda) e Don Valerio Cohaila são organizadores e palestrantes do encontro

Convidados

Josefa Kirvin (representante maia – Tsotzil / México)

Mulher Medicina, sacerdotisa do fogo sagrado Maia.

Fernando Salazar Banõl – (México)

Escritor, investigador e pesquisador de culturas ancestrais. Idealizador do Instituto Internacional de Biomúsica (Espanha, Argentina e Brasil) e também fundador da Antropovisão.

Jimmy Dick – Nação cree (Canadá)

Educador cultural e assessor espiritual, cantor, baterista e ministro da Igreja Nativa Americana de Ontário, Canadá.

Adolfo Espinoza Jaime Vargas – (México)

Graduado em psicologia, doutor em educação e pedagogia, mestre em educação familiar.

Gaetano Brancati Luigi - (Itália)

Idealizador do monumento “Marco da Paz”, localizado na capital paulista no Pátio do Colégio. Esse símbolo, criado em forma de arco com uma pomba e um sino, já ganhou o mundo e marca presença nos cinco continentes.

Daniel Namkhay – (Argentina)

Pesquisador das culturas, mitos, espiritualidade e músicas das tradições nativas da terra, em especial dos povos nativos das Américas, Japão, China, Índia, Indonésia, Mongólia e Tibete. Terapeuta holístico, músico multi-instrumentista, compositor e escritor.

Don Valerio Cohaila - (Peru)

Curandeiro e sacerdote do povo Aymara. Graduado em engenharia ambiental e mestre em artes. Trabalhou com pessoas de mais de 50 países diferentes sobre como cultivar relacionamentos com povos tradicionais indígenas na América do Sul e do Norte.

Beatriz Pichimalen – (Argentina)

Cantora do povo Mapuche. Membro do Nacional Commmitte for the Earth Charter, ministra palestras, conferências, seminários e workshops por todo o território Argentino e outros países.

Apolinário Chile Pixtun - (Guatemala)

Guia espiritual indígena, xamã e sacerdote maia. Médico naturopata, com especialidades em: dieta alimentar, fitoterapia, medicina energética, elementoterapia, etnobotânica, etnoterapia, iridologia, psicologia aplicada, aureoterapia e curas naturopatas.

Dr. Alberto Gonzalez - (Brasil)

Médico cirurgião com doutorado em medicina pela Universidade Ludwig Maximilian de Munique, Alemanha. Coordenador do projeto Alimentação Viva no Programa de Saúde da Família de Capão Bonito, Osasco e Campos de Jordão (SP).

Marcelo Sambiase - (Araraquara/SPl)

Consultor e produtor orgânico pela Agricultura Biodinâmica e Orgânica.

Ale de Maria - (Florianópolis/SC)

Maestro e professor. Lidera um movimento de música devocional alinhado com os ideais da escola de “Arte Consagrada” do Fogo Sagrado de Itzachilatlan do Brasil.

Irmão Águia – (Viamão/RS)

Artesão xamânico e especialista na arte milenar de confecção de tambores de diversas tribos e culturas do mundo.

George Peel – (Santos/SP)

Missionário gnóstico internacional e diretor do Instituto Gnóstico Interdisciplinar (IGNIS) e do Grupo de Dança Asteca Tonatiuh Oceotl, na cidade de Santos.

Wilson Gonzaga - (Manaus/AM)

Médico psiquiatra e psicoterapeuta especializado em farmacodependência. Conferencista e consultor de empresas na área de desenvolvimento humano, coach executivo e diretor do Instituto Hermes de Transformação Humana.

Niminon Suzel Pinheiro (São José do Rio Preto/SP)

Graduada em história e economia. Mestre e doutora em história e sociedade. Pós-doutora em antropologia.

Alexandre Tadeu Ignácio Barbosa - (São José do Rio Preto/SP - Brasil)

Fundador e dirigente espiritual do Instituto Céu de Capella, um dos idealizadores do xamanismo gnóstico. Sacerdote gnóstico e grande conhecedor das plantas de poder.

 

Foto 1,3 e 4: Divulgação

Foto 2: Loraine Guedes

 


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