Como é a noção de Deus em Aristóteles?

A ideia de Deus em Aristóteles deixa de ser explicada como uma emanação. Ou seja, não é representada como um demiurgo, isto é, não se trata de um Ser que faça parte do imaginário das crenças populares, tampouco participe de uma abstração das noções de Bem e de Unidade, da qual procede uma inteligência. Portanto, não se trata de um criador, nem de uma providência, mas um princípio que rege o mundo da natureza. Põe as coisas em movimento, como uma vitalidade que é um substrato das mudanças dos fenômenos. Está presente, mas como se não fosse uma inteligibilidade. É por isso que o pensamento e o pensador se confundem quando o homem deseja, sente e pensa, porque é como se ele estivesse contemplando Deus nele mesmo. A diferença de uma transcendência entendida no sentido comum é que não se trata de buscar o supra-humano fora do homem, mas na sua própria existência, e por isso a divindade para Aristóteles não pode ser confundida com o discurso que isola o divino e o homem.