Como é a noção de Deus para filosofia hegeliana?

Um dos aspectos interessantes, não menos problemático da filosofia hegeliana é a noção de Deus, como quid est, o que ele é. A existência divina é incontestável, restando o problema sobre como apresentar esse verdadeiro Deus. O aspecto essencial desse problema está na união dialética entre a fé religiosa e a razão humana conceitual. A clássica distinção filosófica entre fé e razão torna-se uma única coisa na dialética hegeliana. Disso resulta as soluções, mas também os problemas. Porque, se de um lado unir fé e razão parece dar coesão ao sistema hegeliano; por outro lado, abre um problema para a perspectiva teológica: a verdadeira noção de Deus recorre a um fundamento racional, ou à fé religiosa? Assim, ao unir ambos os domínios, múltiplas interpretações são possíveis: a defesa do cristianismo, na tríade sagrada; o panteísmo, ao afirmar que a totalidade é compreendida por Deus, sendo impossível torná-lo único face ao mundo; a suspensão do juízo acerca de Deus; ou, no caso da herança hegeliana, defender a leitura de um movimento da história sem a presença de uma finalidade divina. Hegel, ao dar uma solução, abriu margens para novos problemas na filosofia. Ao mesmo tempo, também abriu um novo campo de pensamento no século 19 para a questão religiosa, sobretudo no debate filosófico alemão.