A fundamentação da trindade na obra de Santo Agostinho traz o problema de se pensar a sexualidade na doutrina do pecado original. Como o autor se furta desse problema?

Trata-se de um problema controverso saber como ocorre a inclinação para o mal, transmitido de geração em geração, a partir da concupiscência herege em Adão, a qual afeta todos os seres humanos nascidos, de onde surge a necessidade do batismo da luxúria sexual que se revela na puberdade. A procriação não seria a fonte que propaga o mal, e, sim, o bem, que confere a ressurreição aos corpos. Porque, afinal, o homem, dotado de corpo e alma, não odiaria a própria carne. O instinto reprodutivo não traz consigo o mal, porque não peca contra o Espírito. Na procriação não há a divisão que separa a alma do corpo, explorando o prazer de órgãos além do respeito pela integridade da pessoa de outra. A "culpa" real, originária como pecado, não seria por ter traído a confiança divina, mas pelo esquecimento da própria condição do pecado.