Produtos certificados são mais caros?

O preço do pescado certificado não será necessariamente muito mais caro do que o do não certificado. Existem meios de incentivo que podem baixar os preços, principalmente envolvendo investimento do governo. Se, por exemplo, ao invés de financiar atividades predatórias, fossem criados financiamentos para empresas que apresentassem algum tipo de eco rotulagem sobre o pescado, então possivelmente o preço baixaria e o produto seria mais acessível.

Mas antes de pensar em maneiras de baixar o preço do pescado, talvez valha refletir sobre o quanto esse valor representa. O pescado advindo de práticas predatórias terá sempre um preço inferior. Isso porque atividades como essa não consideram algumas consequências posteriores e externas ao seu universo de trabalho. Esse tipo de consequência é chamado de “externalidade”, as quais são efeitos de uma atividade que não são sofridos por quem a pratica. É o caso da destruição de habitats marinhos causados pela pesca de arrasto, que desestrutura o solo oceânico e desestabiliza cadeias alimentares.

Pagar um preço mais elevado por um produto certificado é, então, muito mais do que simplesmente consumir um alimento ecologicamente correto. Pagar mais por isso significa reconhecer que as práticas mais difundidas de pesca predatória são prejudiciais em escala global e não afetam somente o ser humano. Mais do que consumir um produto sustentável, dar preferência aos certificados é uma maneira de quebrar o paradigma que permitiu que se chegasse à crise ambiental de que os recursos naturais são inesgotáveis.