Principais nomes

Karl Marx (1818-1883)

Filósofo alemão e de origem judaica. Estudou nas universidades de Bonn, Berlim e Jena, onde tornou-se doutor em 1841. Seu pensamento está assentado na dialética de Hegel, tirando-a de seu idealismo para torná-la materialista. A dialética do trabalho é a chave para entender a história como movimento histórico e a sua concepção materialista das forças econômicas. A ordem social, política e cultural são constituídas por essa infraestrutura da economia.

Considerado um democrata radical, em razão de suas ideias políticas, viu-se obrigado a deixar a Alemanha e mudar-se para Paris, em 1843. Foi quando conheceu Friedrich Engels (1820-1895), com quem escreveu Ideologia Alemã, entre 1845 e 1846, tecendo duras críticas à juventude hegeliana alemã, imersa no debate espiritual do idealismo. A partir desse período, Marx é expulso de Paris. Refugia-se então em Bruxelas, na Bélgica. Depois, vive durante um breve período em Colônia, na Alemanha, para apoiar a Revolução Alemã de 1848. Foi nesse período que ele escreveu com Engels o Manifesto Comunista.

Depois, Marx muda-se para Londres e dá início à sua principal obra, O Capital (1867), livro que demorou anos para ser concluído. Marx partiu da crítica aos socialistas anteriores, chamados de utópicos, como Saint Simon (1760-1825), Robert Owen (1771-1858) e Fourier (1772-1837).

Aprofundou-se no estudo da doutrina política clássica, de que só o trabalho humano produz valor, denunciando a exploração patente da extração da mais-valia, o que gerava acumulação do capital. Sobre esses estudos pretendeu construir um socialismo científico, baseado na crítica sistemática da ordem estabelecida e no descobrimento das leis objetivas que conduziriam a uma superação pela força da revolução.

Sua oposição à ideologia da burguesia industrial é sistemática. Diferente do pensamento clássico, o capitalismo tem o caráter histórico, como qualquer outro sistema, e não o de uma ordem natural imutável. A tendência do empobrecimento das classes baixas foi o fator empírico que Marx utilizou para provar, dialeticamente, como o capitalismo precisa das crises financeiras e do trabalho para se sustentar como sistema. O enriquecimento leva ao acúmulo e monopólio, restando uma margem grande de pessoas sem renda, ou com renda miserável.

O último salto do marxismo é o caráter histórico do choque revolucionário entre explorados e exploradores, levando a uma revolução socialista, como transição ao comunismo. Estaria abolida a propriedade privada dos meios de produção, e não seria mais preciso o poder coercitivo do Estado, havendo a emancipação global e definitiva do homem. Seria resolvido o problema da alienação dos trabalhadores, realizando plenamente as ideias de liberdade, igualdade e fraternidade, que puderam ser apenas sonhada pela Revolução Francesa.

Marx foi testemunha ocular da Revolução Industrial britânica. Viu o Reino Unido se transformar na oficina do mundo e na maior potência militar da época, porém, também presenciou as terríveis condições nas quais viviam os trabalhadores ingleses e o crescimento exponencial da miséria em grandes cidades da era vitoriana como Londres. Com seu pensamento, Marx buscava não abrir mão do progresso, como queriam fazer os românticos, mas, ao mesmo tempo, pretendia combater os assustadores custos humanos que esse desenvolvimento cobrava da população.

Friedrich Engels (1820-1895)

Pensador e dirigente socialista alemão. Teve a sua formação na Universidade de Berlim, entre 1841 e 1842, juntando-se aos hegelianos de esquerda e interessados nos movimentos revolucionários da época. Ao ser enviado para Londres por causa dos negócios familiares, entrou em contato direto com as condições precárias dos trabalhadores da classe operária. Nesse período, em 1844, aderiu definitivamente ao socialismo, estabeleceu uma amizade duradoura com Karl Marx, com quem manteve uma colaboração frutífera. Escreveram juntos A Sagrada Família (1844), A Ideologia Alemã (1844-1846) e o Manifesto Comunista (1848).

Durante o período de trabalhos com Marx, Engels contribuiu com sua atenção à crítica da economia clássica e detalhes dos processos produtivos. Após a morte de Marx, cumpriu o papel de líder indiscutido da socialdemocracia alemã, da Segunda Internacional e do socialismo mundial. Manteve o essencial do marxismo, como as ideias da desaparição futura do Estado, a dialética e as complexas relações entre a infraestrutura econômica e as superestruturas políticas, jurídicas e culturais.

Embora na condição de empresário, participou da Revolução Alemã de 1848-1850. A partir de 1870, foi secretário da Primeira Internacional dos Trabalhadores (AIT). Também publicou escritos relevantes como o Socialismo Utópico e Socialismo Científico(1882), A Origem da Família, A Propriedade e o Estado (1884), e Ludwig Feuerbach e o Fim da História Clássica Alemã (1888).

György Lukács (1885-1971)

A sua principal obra é História e Consciência de Classe (1923). Nela encontramos uma conciliação da tese materialista da consciência, como reflexo da realidade, e a tese hegeliana da identidade dialética entre sujeito e objeto. De modo geral, o húngaro Lukács retoma algumas obras do jovem Marx, como os Manuscritos de 1844, procurando analisar a alienação como uma reificação da consciência. Ou seja, que não se trata da consciência humana determinar o ser, mas o ser social que determina a consciência. Nesse processo, o proletariado é vítima do racionalismo coisificador burguês, como um reflexo dialético com implicações idealistas. Assim, pode-se dizer que Lukács é um marxista que procura retomar aspectos idealistas da filosofia hegeliana e do jovem Marx, além de elementos existencialistas da filosofia kierkegaardiana. Ele foi o responsável por ampliar a ideia de alienação presente nos textos de Marx.

Foi membro da Comuna de Budapeste, ocorrida em 1919. Em razão dessa participação, Lukács acabaria exilado em Viena, para onde fugiu após ser condenado à morte pela monarquia húngara. Viveu lá durante 10 anos. Depois fez parte do Instituto Marx-Engels, em Moscou. Em seguida, em 1929, mudou-se par Berlim, onde viveu até 1933.

Nesse ano, passou a fazer parte do Instituto de Filosofia, em Moscou. Ao final da Segunda Guerra Mundial, em 1945, retornou para Hungria onde foi deputado e professor de estética na Universidade de Budapeste. Em 1956, foi uma das figuras mais importantes da Revolução Húngara, um movimento marcadamente democrático e antissoviético. Foi ministro da cultura do governo revoltoso. Acabou preso e foi deportado para a Romênia. Escreveu mais de 30 livros e centenas de ensaios e artigos. Seus textos influenciaram profundamente os marxistas durante a primeira metade do século 20.

Antonio Gramsci (1891-1937)

Começou sua história de intelectual com uma brilhante carreira na Universidade de Torino, onde entrou em contato com a Juventude Socialista. Depois, se filiou ao Partido Socialista, em 1914. No período da Primeira Guerra Mundial, Gramsci se tornou um dos maiores especialistas em marxismo na Itália. Em seguida, ele criou o jornal L'Ordine Nuovo (A Nova Ordem). Participou efetivamente da greve geral em Torino, em 1920, da qual foi um dos líderes. Com Togliatti, foi um dos fundadores do Partido Comunista da Itália, em 1921. Após a criação, Gramsci se mudou para União Soviética, onde viveu dois anos. Ao retornar, se tornou o líder do Partido Comunista da Itália, pelo qual foi eleito deputado, em 1924. No entanto, em 1926, o ditador fascista Benito Mussolini (1883-1945) baniu o PC italiano e prendeu Gramsci. Na prisão ele produziu uma obra imensa e de crucial importância para compreender o mundo moderno.

O pensador, após vários anos de cárcere, morreu em 1937, ao deixar a penitenciária para obter tratamento médico. Para Gramsci, a transformação social provém das obras e do pensamento, não apenas da burocracia sindical e de seus representantes. As comissões e os conselhos nas fábricas, nos bairros, no partido seriam um tipo de expansão cultural e o modelo para a sociedade comunista, em oposição à ditadura repressiva e verticalizada do espírito burguês. Essa nova vontade política opõe-se à direção ideológica capitalista. Gramsci foi também um adversário do economicismo e sobretudo do fascismo de Mussolini.

Em seus escritos, o pensador italiano defendia que a democracia era o melhor mecanismo possível para se construir sujeitos históricos autônomos capazes de garantir sua emancipação diante de circunstâncias sociais opressivas. Portanto, a diferença direta entre Marx e Gramsci é: para o primeiro a revolução seria uma tomada do poder pela força dos trabalhadores explorados; para o segundo, a forma mais eficiente da revolução seria através da mediação e transformação da cultura vigente em uma revolução silenciosa, democrática e duradoura.

Leon Trotsky (1877-1940)

Se nome é Lev Davidovich Bronshtein, mas ele ficou mundialmente conhecido pelo pseudônimo revolucionário Leon Trotsky. Nasceu em uma família judia na Ucrânia. Estudou direito na Universidade de Odessa. Jovem, participou da oposição clandestina contra o czarismo, organizando uma Liga Trabalhadora do Sul da Rússia (1897). Foi detido várias vezes e enviado para os campos na Sibéria, onde passou mais de quatro anos preso.

Em 1902, após deixar a prisão, encontrou-se em Londres com Lenin. Na capital britânica, ele trabalhou para o jornal revolucionário russo Iskra. No segundo congresso do Partido Operário Social-Democrata dos Trabalhadores Russos, Trotsky se aliou aos mencheviques, uma facção minoritária que defendia um socialismo de cunho mais democrático. Seu grupo se opunha a Lenin e os Bolcheviques, os quais queriam um partido altamente centralizado, disciplinado e profissional. Em 1905, com os primeiros movimentos revolucionários surgindo na Rússia, ele regressou ao país e tomou parte na revolta, organizando o primeiro conselho revolucionário. Com o fracasso da revolução, Trotsky foi preso e enviado novamente para a Sibéria, de onde escapou em 1906. Percorreu o mundo nos focos revolucionários, regressando à Rússia quando estalou a Revolução de fevereiro de 1917, que derrubou o czar Nicolau II.

A partir de 1917, enquanto Lenin estava no poder, Trotsky desempenhou um papel crucial no governo soviético. Foi o primeiro comissário de Relações Exteriores do bolchevique russo (1917-1918), comissário de Guerra (1918-1925), quando organizou o Exército Vermelho. Foi fundamental para a existência do primeiro Estado Comunista do Mundo, e sua obra principal foi História da Revolução Russa (1932). Nela, Trotsky une a narrativa do processo russo ao esclarecimento das leis do próprio movimento histórico. Parte dos níveis mais abstratos aos mais concretos dos acontecimentos, seu texto apresenta um sociologismo feito a partir da dialética marxista.

Com a debilitação da saúde de Lenin, Trotsky passou a disputar a sucessão com outros líderes comunistas, entre eles, Stálin. Em março de 1923, quando Lenin ficou gravemente doente, Stálin se consolidou como novo líder soviético. Trotsky, por sua vez, meses após a formação do novo governo, passou a fazer oposição e críticas ao Comitê Central, acusando-o de antidemocrático e incapaz de colocar o planejamento econômico em prática. Essa disputa foi se acirrando até que em outubro de 1926 Trotsky foi expulso do Politburo. Em 1928, ele foi exilado, passando a viver em uma região da Ásia Central chamada Almaty, que fica atualmente no Cazaquistão. Durante seu exílio, ele viveu na Turquia, França, Noruega e finalmente México, onde foi assassinado pelo comunista catalão e agente stalinista Ramón Mercader, o qual o matou com um golpe de furador de gelo na cabeça.

Vladimir Ilitch Ulianov – “Lenin” (1870–1924)

Nasceu em uma família de classe média em Voga. Estudou nas universidades de Kazan e São Petersburgo, onde se instalou como advogado em 1893. Militante contra a autocracia czarista, entrou em contato com o principal líder revolucionário russo no momento, Plekhanov, líder do Partido Trabalhista Social-Democrata da Rússia. Em 1897, foi detido e deportado à Sibéria, onde se dedicou ao estudo sistemático das obras de Marx para descobrir como aplicar suas ideias em um país atrasado como a Rússia.

Em 1902, na sua obra O Que Fazer, defendeu a revolução na Rússia através de uma vanguarda de revolucionários professionais decididos e organizados como exército. Lenin buscou o sentido da concentricidade histórica, ou a consciência da historicidade. Ela seria a alma do marxismo. Em 1916, publica O Imperialismo, Fase Superior do Capitalismo, em nome do internacionalismo proletário, embora sem apelo e sucesso. Com a revolução de 1917, regressou à Rússia e publicou sua Teses de Abril, ordenando todos os bolcheviques a darem o apoio ao governo provisional, exigindo “todo o poder aos sovietes”.

Na ascensão ao poder, Lênin utilizou os mecanismos da economia de mercado como ação integrante de sua política comunista na Rússia, o que acabaria influenciando o restante do mundo. Era preciso “recuar um passo para avançar dois”, como costumava dizer. Lênin participou da fundação da União Soviética (URSS) em 1922, e desde então o leninismo tem influenciado os partidos comunistas em todos os lugares. No mesmo ano, contraiu uma doença que o levou à morte, em 1924. Seu corpo foi embalsamado e permanece até hoje exposto no mausoléu na Praça Vermelha, em Moscou.

Josef Stalin (1879-1953)

Seu nome é Jossif Vissariónovich Dzhugashvili. Ditador soviético. Filho de um sapateiro na região de Geórgia. Ficou órfão muito jovem e estudou em um seminário eclesiástico, onde foi expulso por suas ideias revolucionárias (1899). Atuou contra o regime czarista, entrando no Partido Social-Democrata da Rússia em 1903. Depois, fez parte dos bolcheviques, no momento encabeçado por Lenin. Foi um militante ativo e refugiado até que em 1917 conseguiu um cargo burocrático no Partido Comunista, chegando a ser secretário geral em 1922. Stalin travou uma disputa com Trotsky para a sucessão de Lenin, que adoeceu em 1923 e morreu em 1924.

A luta se deu inicialmente nos marcos dos argumentos ideológicos, cada um defendendo uma estratégia para o comunismo: Stalin defendia a construção do socialismo em um só país, enquanto Trotsky pretendia uma revolução permanente em escala mundial. Stalin conseguiu uma manobra, aproveitando o controle que detinha sobre a informação e sobre o aparato do Partido. Radicalizou as tendências autoritárias dentro do partido, eliminando as ideias democráticas do leninismo. Governou a URSS de forma tirânica dos anos trinta até a sua morte, em 1953. Implantou um regime totalitário, realizando também um projeto socioeconômico comunista, com industrialização acelerada com base energética. Estatizou todos os serviços e impôs a coletivização forçada na agricultura, e extinguiu minorias étnicas ou contrárias ao seu regime.

Para pensar

O conceito de classe social como resultado da dialética marxista do trabalho abrange plenamente todas as tensões sociais no processo histórico?

Se o ponto de partida é em relação à divisão do trabalho, especificamente a propriedade dos meios de produção, há também grande quantidade de grupos sociais que podem e devem também ser considerados...

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