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O que é

A dieta orgânica não exclui nenhum tipo de alimento. Para segui-la é necessário, no entanto, consumir apenas produtos feitos sem o uso de fertilizantes sintéticos, agrotóxicos, insumos artificiais, hormônios, antibióticos, organismos geneticamente modificados ou fertilizantes químicos. Isso confere a esse tipo de alimentação baixíssimos níveis de toxicidade, o que, por sua vez, pode representar benefícios para a saúde dos indivíduos.
Tais alimentos não podem sofrer qualquer tipo de radiação ionizante quando são processados, pois isso gera, muita vez, substâncias cancerígenas como o benzeno. Esse tipo de radiação é capaz de interagir com os átomos neutros. Isso ocorre quando os alimentos são expostos a raios-gama, raios-x ou feixes de elétrons. Esse tipo de procedimento é utilizado basicamente para destruir bactérias, micróbios e micro-organismos. A radiação ionizante também aumenta duração dos alimentos. Os produtos orgânicos não passam por esse processo.
Portanto, para comer apenas produtos orgânicos é necessário ter acesso a uma produção agrícola feita a partir de um sistema isento de substâncias nocivas à saúde humana e não processados.
Em razão disso, os adeptos da dieta orgânica nas grandes metrópoles, muita vez, acabam pagando mais caro por produtos que não são expostos a pesticidas químicos ou fertilizantes.
A produção e o consumo de orgânicos busca melhorar a qualidade de vida da sociedade e proteger o meio ambiente. O Brasil ocupa o terceiro lugar mundial em área cultivada com orgânicos.
Segundo o Ministério da Agricultura, a produção e a comercialização dos produtos orgânicos no Brasil foram aprovadas pela Lei 10.831, de 23 de dezembro de 2003. Essa lei foi regulamentada no dia 27 de dezembro de 2007, após a publicação do Decreto Nº 6.323. Na agricultura orgânica os insumos devem todos ser fitossanitários, esses produtos, por sua vez, precisam da aprovação do Ministério da Agricultura.

Origem do nome

A palavra “dieta” vem do grego “díaita”, que, por sua vez, significa “modo de viver”. Esse termo grego está ligado ao verbo “diaitáō”, que significa “viver de uma determinada maneira, de acordo com certo regime”. A palavra “orgânico” tem origem no grego “organikós”. No latim, o termo “organĭcus” quer dizer instrumental ou relativo a instrumentos. Somente no francês a palavra adquiriu seu significado atual, que diz respeito “aos órgãos de um ser vivo”.

Criação

Volta ao passado: A dieta orgânica só foi possível com o surgimento da agricultura orgânica. De certa maneira, é possível dizer que ela é uma volta ao passado, quando os seres humanos consumiam alimentos sem agrotóxicos, adubos químicos ou substâncias sintéticas que prejudicassem a natureza.

Com o surgimento dessas técnicas, a agricultura se transformou em uma indústria gigantesca. A produção orgânica, por sua vez, valoriza o uso dos recursos naturais não renováveis, bem como o aproveitamento dos recursos naturais renováveis. Ela se baseia em processos biológicos que não sejam prejudiciais à biodiversidade, mas alinhado e integrado a ela.

Albert Howard: No início do século 20, o britânico Albert Howard (1873–1947), que trabalhou com pesquisa agrícola na Índia, percebeu que a prática dos agricultores hindus produzia resultados iguais ou melhores do que os da agricultura convencional ocidental. A partir desse momento, Howard passou a estudar como essa agricultura funcionava. Essas práticas o levaram a criar os primeiros conceitos da produção de orgânicos.

Biodinâmica Baseada nas ideias do filósofo austríaco Rudolf Steiner, a agricultura biodinâmica é um processo de cultivo do solo feito através de uma relação direta do homem com a terra. Seu calendário segue as fases da Lua. É, na verdade, uma maneira mais espiritualizada de praticar a agricultura.

Atualmente, os fazendeiros que seguem as ideias da biodinâmica buscam uma produção mais diversificada e balanceada, que não seja prejudicial ao ecossistema. Sua prática buscar atingir uma produção agrícola mais ecologicamente correta e mais sustentável socialmente. Surgiu como uma espécie de resposta às práticas agrícolas convencionais, ligadas à Revolução Verde.

Lei de Orgânicos Após o governo federal do Brasil regulamentar a Lei de Orgânicos (10.831), somente os produtos que tenham 95% de suas matérias-primas certificadas como orgânicas. Com 70% de matérias-primas orgânicas o produto poderá receber um selo de qualidade orgânica. Somente os alimentos que seguirem as normas e preceitos da agricultura orgânica e que tenham sua origem rastreada poderão ser vendidos como orgânicos.

A mesma lei obriga que todas as indústrias ou fazendas ligadas à produção de orgânicos respeitem as leis trabalhistas e se submetam a certificações anuais.

Histórico

Império britânico: O sistema orgânico de produção foi proposto pelo engenheiro agrônomo inglês Albert Howard (1873–1947), que trabalhou com pesquisa agrícola na Índia durante quase 40 anos, no início do século 20.

Nascido e criado no Reino Unido, Howard dirigiu o centro de pesquisas em agricultura na Índia, que então era uma colônia britânica.

Durante seus estudos, ele observou que os agricultores hindus não utilizavam fertilizantes químicos ou agrotóxicos no cultivo e na criação animal. Outra constatação feita por Howard foi a diferença entre as plantas e os animais desses agricultores, que apresentavam menor incidência de doenças, com aquelas cultivadas na estação agrícola experimental na qual ele trabalhava.

A partir da compilação do conhecimento dos camponeses locais, Howard iniciou uma série de análises e experiências que o levaram a reconhecer que o fator essencial para a eliminação das doenças em plantas e animais residia na fertilidade do solo. Seus anos de pesquisa na área acabaram produzindo os conceitos básico da agricultura orgânica. Suas ideias a respeito da fertilidade do solo incluíam desde reciclagem de resíduos até mesmo utilização lodo de esgoto em terras cultiváveis.

Tais experiências acabariam se tornando os primeiros passos para a agricultura orgânica. Método Indore Entre 1924 e 1931, Howard desenvolveu o método Indore de compostagem — o nome foi dado em homenagem à região na qual o britânico viveu na Índia.

Essa prática ocorre da seguinte forma: em primeiro lugar é construída uma pilha sobre uma base de ramos; em segundo, é colada uma camada de 10 centímetros de material vegetal duro. Depois, a pilha recebe outra camada de material orgânico fresco e de fácil decomposição, que também deve ter cerca de 10 centímetros. Em seguida coloca-se uma camada de estrume animal ou lodo retirado de um tanque de biogás. Por cima de tudo isso é posta uma fina camada de terra, que deve ser limpa e úmida.

Essa sequência deve se repetir até a pilha alcançar cerca de 1,5 metro. Dessa maneira, ela terá os micro-organismos responsáveis e necessários para colocar em prática o processo de compostagem. Tal prática é altamente sustentável, pois todos resíduos vegetais e animais de uma fazenda acabam se transformando em húmus, o qual será utilizado para restaurar a fertilidade do solo. Após cerca de duas semanas, as pilhas precisam ser revolvidas regularmente. O arejamento do material assegura que tudo se transforme em composto.

Dependendo das condições climáticas, o tempo necessário para a decomposição pode variar de três a seis meses. Substâncias como cinzas de madeira favorecem o desenvolvimento de micro-organismos e aceleram o processo. A vantagem do método Indore é conseguir um fertilizante em pouco tempo e de forma muito barata e sustentável.

Outros métodos praticados por agricultores hindus também são muito semelhantes ao Indore. Desses outros, o mais famoso é o método Bangalore. Atualmente, há, além desses, várias formas de fabricação de composto que também são utilizadas pela agricultura orgânica.

Alimentos biodinâmicos: Na mesma década, foram lançados na Europa central os alimentos biodinâmicos, inspirados pela antroposofia. Igualmente à agricultura orgânica, a biodinâmica busca alimentos sem agrotóxicos, adubos químicos ou conservantes.

Até o início da Segunda Guerra Mundial, havia mais de mil fazendas biodinâmicas na Alemanha. Após a sua proibição pelo nazismo, a biodinâmica renasceu na década de 1950, e hoje está presente em mais de 40 países.

Revolução Verde: Com o fim da Segunda Guerra Mundial inúmeras indústrias bélicas passaram a produzir fertilizantes baseados em substâncias como amônia e ureia, as quais, até então, eram utilizadas na produção da pólvora. Esses produtos químicos possuem a capacidade de fornecer os minerais que fazem as plantas crescer.

Essa nova maneira de produzir acabou abrindo o caminho para o surgimento da Revolução Verde, a qual permitiu que agricultores atingissem níveis elevadíssimos de produção de grãos (especialmente trigo e arroz).

Apesar das constantes críticas feitas pelos produtores orgânicos às técnicas convencionais, elas ajudaram a alimentar milhões de pessoas e impediram que regiões da Índia, do Paquistão e das Filipinas fossem atingidas por mortandades em massa em razão de ondas de fome nos anos 1960. Foram essas técnicas que permitiram dobrar a produção de arroz em cerca de cinco anos.

Impactos: No entanto, a partir dos anos 1970, com a divulgação de uma série de impactos ambientais, como desmatamentos, queimadas, erosão e desertificação do solo, perda de biodiversidade, contaminação do solo, água, do ar e dos alimentos por resíduos tóxicos relacionados à agricultura convencional, verificou-se um crescimento da consciência ambientalista no mundo todo e, com isso, uma maior interesse pelos métodos alternativos de produção, considerados ambientalmente mais sustentáveis.

Com a fundação da Federação Internacional dos Movimentos de Agricultura Orgânica (IFOAM), essa forma de agricultura globalizou-se rapidamente.

Mal da vaca louca: O crescimento substancial na demanda por alimentos orgânicos ocorreu a partir da segunda metade da década de 1980. Nesse período, o mundo inteiro tomou conhecimento do “mal da vaca louca”, que recebe o nome científico de encefalite espongiforme bovina. O primeiro caso de “mal da vaca louca” foi identificado no Reino Unido, em 1986.

Depois se tornou uma epidemia, atingindo rebanhos de outros países. Essa doença causa, nos bovinos, a degeneração do sistema nervoso central — as células do cérebro morrem —, o descontrole motor e a morte.

Nos humanos, o “mal da vaca louca” recebe o nome de mal de Creutzfeldt-Jakob. Provoca a perda da coordenação motora, podendo levar o indivíduo à demência e à morte. Após o surgimento da epidemia, em 1986, a primeira vítima humana da doença foi um britânico, que faleceu em 1995. Ele morreu depois de ter consumido carne contaminada. O “mal da vaca louca” é produzido por uma proteína chamada príon.

Ela chegou aos rebanhos após os mesmos terem sido alimentados com suplementos de alta proteína feitas a partir de carcaças de outros ruminantes. Depois disso, o debate sobre utilização de orgânicos ganhou muito espaço na mídia. Eles seriam uma alternativa que poderia ser uma resposta para problemas com o “mal da vaca louca”, pois não continham nenhum tipo de suplemento de alta proteína e eram feitos sem químicos.

Em 2007, a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentos e Agricultura) publicou a sua norma orgânica no Codex Alimentarius. MNo Brasil a Lei de Orgânicos é muito recente. Ela foi estabelecida em 2003. Porém, o decreto que a tornou válida é de 2007.

Atualidade

Projeto Organics Brazil

Em 2005, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e o Ministério da Indústria e Comércio criaram o programa Organics Brazil, o qual reúne produtores e empresas que exportam mais mil produtos orgânicos agrícolas, agroecológicos, agroindustriais, cosméticos e têxteis. Somente no primeiro semestre de 2013, o Projeto Organics Brazil exportou US$ 37 milhões. Em 2012, foram exportados US$ 129,5 milhões em orgânicos.

Banidos

Vários agrotóxicos foram proibidos no Brasil. Nos últimos anos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária baniu substâncias utilizadas na produção agrícola e ligados a problemas como câncer e má-formação fetal. Eles são: triclorfom, cihexatina, acefato, endossulfam e metamidofós.

PARA

Feito em 2010, o último relatório do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA), indicou que 16,3% da amostra de tomates utilizada no levantamento apresentaram ingredientes não autorizados ou resíduos químicos acima do permitido pela ANVISA, órgão responsável pelo trabalho.

Esse tipo de informação ajuda a reforçar a necessidade de uma presença maior de produtores nas áreas cultiváveis nacionais e mais produtos orgânicos nas prateleiras do país.

Chefs

Dois chefes brasileiros renomados internacionalmente são apoiadores do movimento orgânico: Alex Atala, cujo restaurante D.O.M está entre os melhor da América do Sul e do mundo, segundo a lista da revista britânica Restaurant Magazine, é um deles. Outra defensora dos orgânicos no país é a badalada chef Helena Rizzo, que está à frente do restaurante Maní.

Menos pesticidas

Em 2012, uma enorme compilação de pesquisas foi feita por Dena Bravata, pesquisadora do Center for Health Policy da Universidade de Stanford, nos EUA. Em seu levantamento, Bravata e sua equipe de pesquisadores descobriram pouca ou nenhuma evidência de que os alimentos orgânicos são mais nutritivos do que os produzidos normalmente. A grande diferença entre esses dois tipos de produtos reside no nível de exposição do consumidor a pesticidas, o qual é menor no caso dos orgânicos.

Sucesso de vendas

O setor de orgânicos representa hoje um enorme sucesso de vendas. Somente nos Estados Unidos, o consumo desse tipo de produto foi de US$ 3,6 bilhões em 1997 para US$ 24,4 bilhões em 2011. No Brasil, o consumo de orgânicos tem um ritmo de crescimento três vezes maior do que os alimentos convencionais. Segundo a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), em 2011, os orgânicos representaram 0,5% do total de vendas dos supermercados do país. Para 2013, a expectativa atingir 1,5% do total de vendas.

Biossensor

Em 2013, a Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) em um trabalho em parceria com Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP criou um aparelho capaz de analisar alimentos e indicar se eles receberam algum tipo de agrotóxico de uso proibido no Brasil. Em apenas alguns minutos, o equipamento é capaz de detectar a presença de agrotóxicos não somente em alimentos, mas também na água e no solo. O principal alvo dessa novidade é apontar alimentos contaminados com o pesticida metamidofós. Esse tipo de agrotóxico, apesar de banido, continua sendo utilizado no Brasil. Como é uma substância extremamente potente, acaba poluindo o solo e os lençóis freáticos. Quando consumido por seres humanos, o metamidofós atinge o sistema nervoso e pode causar danos irremediáveis ao cérebro.

Esse agrotóxico é utilizado em lavouras de cana-de-açúcar, soja e algodão. Em dezembro de 2012, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento publicou uma portaria no Diário Oficial da União proibindo a utilização do metamidofós no Brasil. A mesma substância já foi proibida em pequenas culturas brasileiras desde 2004. No entanto, muito produtores, grandes e pequenos, continuam utilizando metamidofós.

Fundamentos

Agricultura orgânica

A produção orgânica é um sistema que emprega métodos biológicos de fertilização e controle de pestes. Foi iniciada pelo britânico Albert Howard na primeira metade do século 20. Nesse tipo de agricultura não são utilizados fertilizantes químicos ou pesticidas. De certa forma, os produtos orgânicos representam uma alternativa ao agronegócio feito com uso intensivo de agroquímicos. O controle das pragas nas fazendas orgânicas é feito através de métodos preventivos como rotação de culturas e o plantio de espécies companheiras capazes de dissuadir pragas.

Biodinâmica

Criada pelo austríaco Rudolf Steiner (1861-1925), essa prática surgiu de uma compreensão mística da agricultura. Em 1924, Steiner fez uma série de palestras sobre produção agrícola que se tornaram a base dessa prática. Para o austríaco,  que se preocupava com a degradação dos alimentos em razão da utilização cada vez maior de fertilizantes e pesticidas, a solução era influenciar a vida orgânica no planeta através das forças “cósmicas” e “terrestres”. Até os dias de hoje, são muito poucas as evidências científicas em torno desse tipo de agricultura.

Steiner acreditava que a lavoura é um organismo e que os homens do campo são o espírito desse organismo. Nesse sentido, ele criou um método apoiado nos relatos feitos por produtores da época, os quais afirmavam que uso intensivo de adubos aumentava a produtividade, mas deixava os alimentos com qualidade inferior. Nesse sentido, a biodinâmica é uma versão mais espiritualizada da agricultura orgânica. 

Qualidade dos alimentos

A busca da qualidade alimentar está se tornando uma das principais preocupações dos consumidores que questionam a relação do uso de agrotóxicos na agricultura com agravos de saúde. No Brasil, o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) divulgados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em 2010, constatou o uso indevido de agrotóxicos não autorizados para as culturas monitoradas, bem como de agrotóxicos autorizados, porém com resíduo encontrado acima do limite máximo permitido.

Esses resultados são alarmantes, pois ao ultrapassarmos os valores diários aceitáveis para o consume de resíduos de agrotóxicos, as consequências poderão variar desde sintomas como dores de cabeça, alergia e coceiras até distúrbios do sistema nervoso central ou câncer, nos casos mais graves de exposição, como é o caso dos trabalhadores rurais.

Em geral, esses sintomas são pouco específicos, não sendo possível determinar a causa baseado apenas na avaliação clínica. Tudo isso vai variar de acordo com diversos fatores, tais como o tipo de agrotóxico que ingerimos, o nível de exposição a estas e outras substâncias químicas, a idade, o peso corpóreo, tabagismo etc. (ANVISA, 2010).

Na prática

Práticas de consumo

Adotar uma dieta orgânica significa modificar as práticas de consumo. Comprar apenas produtos produzidos em fazendas orgânicas. Tais alimentos têm como principal característica a não utilização de agrotóxicos, adubos químicos ou substâncias sintéticas. Os quais podem prejudicar a saúde de quem os consome e também agridem o meio ambiente. Um produto, para ser considerado orgânico, deve ser o resultado de um processo produtivo feito a partir do uso responsável do solo, da água, do ar e dos demais recursos naturais. A produção orgânica também é conhecida por respeitar relações sociais e culturais.

Sazonalidade

Uma dieta orgânica deve ser feita a partir da sazonalidade, ou seja, se alimentar com os produtos que cada estação do ano produz. Assim, a comida poderá ser sempre fresca e com índices baixos de produtos químicos para aumentar sua durabilidade. Outro importante fator desse tipo de prática é seu intrínseco respeito à natureza e seus ciclos.

Produtos locais

Para ter acesso a alimentos frescos é necessário comprar mais produtos locais. Ao consumi-los, o indivíduo está também ajudando a tornar viáveis as fazendas orgânicas mais próximas, o que, por sua vez, facilita saber mais informações sobre a produção.

Diversificação de culturas

Esse preceito da agricultura orgânica é altamente positivo para a biodiversidade, pois auxilia o desenvolvimento de inimigos naturais, os quais acabam se tornando um elemento muito importante para a manutenção da sustentabilidade.

Respeito ao solo

Para a agricultura orgânica o solo é um organismo vivo. Em razão disso, todas as práticas de manejo são feitas a partir da produção e oferta constante de adubos verdes, cobertura morta e composto orgânico, isto é, matéria orgânica. Tudo isso é voltado exclusivamente para obter de maneira sustentável a fertilidade do solo.

Selo orgânico

A dieta orgânica, no Brasil, se baseia principalmente em produtos que tenham o selo orgânico ou que sejam vendidos em feiras orgânicas ou mercados orgânicos. O selo serve para identificar os produtos orgânicos feitos em conformidade com a lei e credenciados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

OGMs

O indivíduo que vai praticar uma dieta orgânica não deve consumir alimentos que contenham organismos geneticamente modificados (OGM). Na agricultura orgânica não é permitida presença de OGMs em qualquer fase da produção, transformação ou manipulação de alimentos.

Principais nomes

Albert Howard (1873–1947)

Nascido e criado em uma fazenda no Reino Unido, Howard estudou em Cambridge. Ao concluir seus estudos serviu como migologista para o Departamento de Agricultura das Índias Orientais do Império Britânico. Passou vários anos na Índia, quando este país era uma colônia. Retornou para o Reino Unido em 1931. Somente ao voltar ao seu país natal que Howard começou a divulgar seus conceitos de agricultura orgânica.

Em 1943, Howard publicou o livro An Agricultural Testament, no qual ele descreve a importância da utilização de restos orgânicos na fertilização do solo. Essa técnica recebeu o nome de Indore, em razão de uma determinada região da Índia na qual Howard trabalhou. Ela seria o início da sistematização ocidental das práticas de compostagem. Howard, portanto, foi o intelectual que começou o processo que retirou a agricultura orgânica do campo e a levou para os livros, por isso ele é sempre lembrado como um dos criadores da versão moderna dessa prática.

Rudolf Steiner (1861-1925)

Fundador da primeira Sociedade Antroposófica, o espiritualista e filósofo austríaco Rudolf Steiner também criou a antroposofia, movimento baseado na noção de que existe um mundo espiritual compreensível ao pensamento puro, ao qual só se tem acesso através das mais altas faculdades do conhecimento.

Em sua juventude, Steiner foi um ardoroso pesquisador da obra de Goethe. Editou os trabalhos científicos do poeta alemão entre 1889 e 1896. Steiner é também autor de A Filosofia da Liberdade (Die Philosophie der Freiheit), obra publicada em 1894. Sua antroposofia defende uma percepção espiritual independente dos sentidos. Dela, surgiram inúmeras práticas como a pedadogia Waldorf, a medicina antroposófica e a agricultura biodinâmica.

Segundo Steiner, os seres humanos devem procurar participar mais efetivamente dos processos espirituais do mundo através de uma “consciência de sonho”, mais próxima do estado de vigília, porém, ele também acreditava que o apego às coisas materiais afastava os seres humanos desse estado de percepção. A reaquisição dessa relação com a realidade, para ele, se daria através do exercício de nosso intelecto, isto é, na constante busca pelo conhecimento.

FAO

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), atualmente dirigida pelo brasileiro José Graziano, é a grande responsável pela divulgação e difusão da agricultura orgânica pelo mundo. Desde 1999, a instituição luta desenvolver esse tipo de prática pelo planeta.

Para a FAO, promover a agricultura orgânica representa oferecer uma alternativa capaz de maximizar o desempenho dos recursos renováveis mundiais. Essa divulgação se baseia no fato de que as emissões dos sistemas de produção convencionais são sempre mais elevadas do que as dos sistemas orgânicos. Portanto, defender a agricultura orgânica, para a FAO, significar reduzir as emissões, beneficiar a biodiversidade e impulsionar uma prática que ajuda no sequestro de carbono e na preservação do meio ambiente.

IFOAM

Desde 1973, a IFOAM (Federação Internacional de Movimentos de Agricultura Orgânica) oferece assistência e suporte para os produtores orgânicos em todo mundo. Com mais de 800 afiliados em 117 países, a IFOAM representa atualmente um setor que movimenta bilhões de dólares por ano e está transformando hábitos de consumo e alimentação em todo planeta.

Outras visões

Preço Os alimentos orgânicos são geralmente mais caros. Isso ocorre, no Brasil, em razão da menor capacidade de oferta e do contínuo crescimento da demanda. Com mais gente querendo comprar alimentos orgânicos e a produção incapaz de atender a todos, os preços desses produtos tendem a subir. Somente com o aumento da produção desse tipo de alimento os preços vão diminuir. A vulnerabilidade da lavoura de orgânicos em relação às intempéries do clima e aos ataques das pragas também encarece esse tipo de produção.

Além disso, o agricultor que cultiva orgânicos precisa fazer alguns investimentos iniciais para conseguir as certificações necessárias para obter os selos governamentais, ou seja, para tal é necessário ou contratar uma empresa especializada, depois disso fazer um cadastro no Ministério da Agricultura ou então entrar para alguma cooperativa que funcione em um Sistema Participativo de Garantia.

Tudo isso leva tempo e aumenta os custos da produção. Entre as normas estabelecidas pelo Ministério da Agricultura, há uma que obriga o produtor de orgânicos a adotar uma série de cuidados para impedir qualquer tipo de contaminação por agrotóxicos ou adubos químicos. Para se enquadrar a essa regra, os agricultores são obrigados a estabelecer em suas propriedades rurais um perímetro improdutivo ao redor da área de plantio. Esse setor da fazenda é uma espécie de escudo contra as substâncias químicas.

No entanto, ela acaba se tornando também uma área improdutiva. Portanto, o agricultor orgânico usa mais terra para produzir menos. Isso encarece a lavoura, afeta os preços e os torna mais altos. Para dificultar ainda mais, em razão da regulamentação de orgânicos no Brasil ser ainda muito recente — o decreto 6.323 que trata da comercialização e produção desse tipo de alimento é de 2007 — o país sofre com a falta de profissionais, tecnologias e insumos para o setor. Ainda são pouco difundidas as técnicas para a produção de orgânicos no Brasil.

Principais obras

Introdução à agricultura orgânica

Livro de Silvio Roberto Penteado que apresenta uma excelente introdução às práticas para a produção de alimentos orgânicos. Essa obra é indica principalmente para técnicos, produtores rurais, mas também pode ser muito útil para aqueles que querem saber mais sobre o assunto.

The Soil and Health: A Study of Organic Agriculture

Trabalho mais importante do pesquisador britânico Albert Howard, responsável pela difusão da agricultura orgânica no Ocidente. Nessa obra, ele indica que sua ideia central está vinculada à qualidade do solo, a qual, por sua vez, está profundamente conectada a todas as práticas agrícolas. Nesse sentido, quanto mais os agricultores preservarem e cuidarem do solo, melhores serão os resultados de suas lavouras.

An Angricultural Testament

Outro livro de Albert Howard no qual ele fala da importância da preservação e do uso sustentável de solo. A obra também narra a história desse pesquisador britânico em suas viagens pela Índia e outros países do Terceiro Mundo.

Fontes e inspirações

Albert Howard (1873–1947)

Nascido e criado em uma fazenda no Reino Unido, Howard estudou em Cambridge. Ao concluir seus estudos serviu como migologista para o Departamento de Agricultura das Índias Orientais do Império Britânico. Passou vários anos na Índia, quando este país era uma colônia. Retornou para o Reino Unido em 1931. Somente ao voltar ao seu país natal que Howard começou a divulgar seus conceitos de agricultura orgânica. Em 1943, Howard publicou o livro An Angricultural Testament, no qual ele descreve a importância da utilização de restos orgânicos na fertilização do solo. Essa técnica recebeu o nome de Indore, em razão de uma determinada região da Índia na qual Howard trabalhou. Ela seria o início da sistematização ocidental das práticas de compostagem. Howard, portanto, foi o intelectual que começou o processo conceitual da agricultura orgânica no mundo, por isso ele é sempre lembrado como um dos criadores da versão moderna dessa prática.

Rudolf Steiner (1861-1925)

Fundador da primeira Sociedade Antroposófica, o espiritualista e filósofo austríaco Rudolf Steiner também criou a antroposofia, movimento baseado na noção de que existe um mundo espiritual compreensível ao pensamento puro, ao qual só se tem acesso através das mais altas faculdades do conhecimento.

Em sua juventude, Steiner foi um ardoroso pesquisador da obra de Goethe. Editou os trabalhos científicos do poeta alemão entre 1889 e 1896. Steiner é também autor de A Filosofia da Liberdade (Die Philosophie der Freiheit), obra publicada em 1894. Sua antroposofia defende uma percepção espiritual independente dos sentidos. Dela, surgiram inúmeras práticas como a pedadogia Waldorf, a medicina antroposófica e a agricultura biodinâmica.

Segundo Steiner, os seres humanos devem procurar participar mais efetivamente dos processos espirituais do mundo através de uma “consciência de sonho”, mais próxima do estado de vigília, porém, ele também acreditava que o apego às coisas materiais afastava os seres humanos desse estado de percepção. A reaquisição dessa relação com a realidade, para ele, se daria através do exercício de nosso intelecto, isto é, na constante busca pelo conhecimento.

Agricultura hindu

Baseada no método que Albert Howard batizou de Indore, a agricultura praticada na Índia foi o sistema no qual especialista britânico se inspirou para criar a orgânica. Seu principal ponto reside na compostagem feita em camadas de material vegetal duro, material orgânico fresco, estrume animal e terra. As pilhas que resultam dessa prática acabam se tornando o fertilizante que será utilizado para melhorar a qualidade do solo e também da lavoura.

Além do método Indore, os agricultores hindus desenvolveram o método Bangalore, que também permite produzir composto de uma forma barata e sustentável. Howard percebeu que esse tipo de compostagem era capaz de melhorar muito a qualidade do solo e também das lavouras.

O pesquisador britânico trouxe para o Ocidente as práticas milenares, que ajudou a Índia a produzir alimentos nos mesmos locais por mais de cinco mil anos. A compostagem praticada pelos hindus ajudou a manter ativo e em excelentes condições o solo do país.

Interligações

Comparada à agricultura convencional, a orgânica gera alimentos mais caros, no entanto, mais saudáveis, pois são produzidos sem aditivos químicos como pesticidas, hormônios de crescimento, antibióticos e outros produtos químicos mais usados por agricultores.

Isso cria um paradoxo: enquanto os produtores convencionais são capazes de alimentar toda a população do planeta. O uso intensivo de agrotóxicos adotado por eles acaba produzindo efeitos muito ruins para o meio ambiente. Já a produção agrícola orgânica praticamente não polui o planeta, mas não é capaz ainda de alimentar a população mundial.

O nível de produtividade das fazendas orgânicas precisa crescer muito para se tornar capaz de responder às necessidades previstas pela FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação). Segundo essa instituição, em 2050, o setor agrícola terá de aumentar em 70% a produção mundial de comida para oferecer alimento aos nove bilhões de habitantes que o planeta terá. Caso isso não ocorra, quando a população da Terra superar nove bilhões, o mundo enfrenta muitos problemas com a fome.

Fontes de pesquisa

http://www.usp.br/agen/?p=139072

Matéria da Agência USP a respeito do biossensor que detecta pesticida em alimentos, na água e no solo.

http://www.soilassociation.org/

Famosa associação britânica, fundada em 1946, que defende e divulga a dieta e a produção de alimentação orgânica.

Aprofundamento

http://www.portalorganico.com.br/ http://www.ifoam.org/ http://www.fao.org/organicag/en/ http://www.zetatalk3.com/docs/Agriculture/An_Agricultural_Testament_1943.pdf

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