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Medicina Integrativa

Fazendo as pazes com a enxaqueca

Neurologista Mario Peres explica que entender as causas do problema pode melhorar sua saúde
Bruno Torres
27/09/19

De acordo com definição da Organização Mundial de Saúde (OMS), uma pessoa saudável é aquela que apresenta “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não somente ausência de doença ou enfermidade”. No entanto, cá entre nós, é tarefa quase impossível encontrar alguém que se encaixe nessa descrição. Ao contrário, a imensa maioria das pessoas apresenta, neste exato momento, pelo menos um sintoma físico que as esteja incomodando. Se colocarmos as questões sociais e mentais no jogo, a goleada fica ainda maior para os que não se enquadram na definição da OMS.

Há alguns problemas de saúde que acabam levando milhares de pessoas a conviver com a dor ou incômodos físicos. No leque das reclamações mais comuns entre os brasileiros está a enxaqueca. Um estudo epidemiológico nacional, realizado por meio de uma parceria entre a Sociedade Brasileira de Cefaleia e o Hospital Israelita Albert Einstein, revelou que ela afeta mais de 27 milhões de brasileiros (cerca de 15% da população). Na região Sudeste, o cenário é ainda pior: os índices chegam a 20,5%, seguida pela região Sul, com 16,4% e Centro-Oeste, 9,5%. A pesquisa foi coordenada pelo doutor em neurologia Mario Peres, que também é autor do livro Dor de cabeça – O que ela quer com você?

O que é enxaqueca?

A enxaqueca é uma doença crônica caracterizada pela recorrência de dores de cabeça produzida por uma disfunção transitória do cérebro. A dor apresenta geralmente a característica pulsátil, latejante, de intensidade moderada a forte, predominantemente de um lado da cabeça, e costuma ser disparada por incômodo ao barulho e à luz. É uma das cefaleias mais comuns e mais incapacitantes, responsável por uma média de 4 dias de trabalhos perdidos por ano nas pessoas acometidas.

Há alguns tipos de enxaqueca. As mais comuns são: enxaqueca com aura, enxaqueca sem aura, enxaqueca basilar, enxaqueca oftalmoplégica, enxaqueca hemiplégica familial, enxaqueca retiniana, status enxaquecoso, enxaqueca complicada e enxaqueca transformada (cefaleia crônica diária). Entre todas essas, a mais comum é a enxaqueca sem aura, aquela na qual o doente sofre crises que podem durar de 4 a 72 horas. Esse tipo de enxaqueca é marcada pela dor latejante. Na maioria dos casos, a pessoa afetada pela doença sente também náuseas, irritabilidade, intolerância à luz, aos som e aos odores mais fortes.

Neurologista Mario Peres

Causas da enxaqueca

As causas da enxaqueca são multifatoriais: genéticas, hormonais (na mulher), privações de sono, alterações do humor, preocupações, ausência de atividades físicas, excessos alimentares e ambientais. Entre todas elas, o aspecto emocional é predominante. “O sistema de dor é um sistema de defesa do organismo, que vai alertar quando algo não está bem, quer seja internamente, ou externamente. Então qualquer ameaça que for detectada no organismo pode acionar o sistema de dor”, explica Peres. Ansiedade, antecipação, preocupação, flutuações de humor e irritabilidade são fatores comumente associados a pessoas com dores de cabeça.

“É aí que está o problema. No cérebro, só existe o agora, este segundo, apenas o presente. Mas temos a memória do passado e a capacidade de anteciparmos o futuro, só que usamos demais essa ferramenta de futurização, e acabamos por pensar e antecipar situações catastróficas, com preocupações excessivas, o que faz o cérebro perceber não que algo ruim está por acontecer, mas que está acontecendo naquele momento”, relata. É por isso que ansiedade e dor estão tão ligados.

Também podem ser mais propensas a quadros de enxaqueca aquelas pessoas que apresentam alto grau de exigência, cobrança interna, perfeccionismo ou que reagem com culpa quando as coisas fogem do seu controle. E em todos esses casos, apesar dos medicamentos controlarem os sintomas, é necessário que o próprio paciente assuma um papel de protagonismo no tratamento. “É fundamental a mudança do estilo de vida, atuar nas causas do problema, porque o trabalho com remédios apenas é limitado, demorado, com efeitos colaterais. Não é possível tratar adequadamente e ter uma resposta completa sem que haja um plano não medicamentoso em paralelo”, afirma o médico.

Uma pesquisa recente coordenada pelo médico italiano Fabrizio Benedetti, um dos maiores estudiosos do efeito placebo, revela como a mentalidade do indivíduo pode influenciar a resposta do organismo. Desta vez, o investigado foi o efeito nocebo, ligado a expectativas negativas. Foram avaliados dois grupos de estudantes que iam para um acampamento de pesquisa nas montanhas, a 3500 metros de altitude. Os integrantes de um dos grupos foram alertados sobre os riscos de apresentarem dores de cabeça no local, enquanto para os outros, nada foi dito. Os resultados mostraram um aumento significativo na quantidade de indivíduos com cefaleias no grupo nocebo em comparação ao grupo controle. A pesquisa descobriu que a expectativa negativa aumenta os níveis de substâncias inflamatórias e consequentemente as chances das dores de cabeça aparecerem.

Tratamentos para enxaqueca

Os tratamentos mais modernos procuram aliar o uso de remédios ao aspecto não-medicamentoso, em particular às psicoterapias. Entre elas, destacam-se técnicas de relaxamento, acupuntura, yoga e dietas, além do exercício físico, vital para o sucesso do tratamento de cefaleias. Para o neurologista, o ponto de partida é o diagnóstico correto. “É fundamental descobrir o tipo de cefaleia, porque ela pode estar ocorrendo em virtude de alguma outra doença associada”, pondera.

Segundo Peres, poucos pacientes recorrem a um especialista quando o assunto é dor de cabeça, e a maioria apela para a automedicação. Mas há diversos tratamentos naturais disponíveis para prevenção e crises agudas, que podem ser mais efetivos e trazem menos efeitos colaterais. Algumas das terapias sugeridas para estes casos incluem a suplementação de melatonina, magnésio, coenzima q 10, riboflavina e fitoterápicos. “A melatonina, por exemplo, vai atuar no ritmo biológico do sono e induzir uma melhora, mas é um conjunto de medidas. Existe um plano de tratamento individualizado que envolve tudo que é importante para aquele paciente em si”, afirma.

Foto: Avenue G / Flickr: Headache / CC BY 2.0


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