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Medicina Integrativa

O que é o câncer?

Oncologistas do Einstein tiram dúvidas sobre prevenção e tratamento de uma das doenças mais letais de nosso tempo
Bruno Torres
27/09/19

“Você ou algum parente próximo vai desenvolver algum tipo de câncer, portanto essa doença vai afetar a nós, direta ou indiretamente, com 100% de certeza em algum momento das nossas vidas”. Foi assim que o médico oncologista Rafael Kaliks, do Centro de Oncologia e Hematologia Einstein (Família Dayan – Daycoval), iniciou e justificou a conferência “O que é câncer – Uma visão geral”, a segunda do ciclo de palestras promovido pelo Hospital Israelita Albert Einstein para conscientizar o público em geral sobre a doença.

Enquanto no começo do século passado a maior parte das mortes era atribuída às doenças transmissíveis, como a tuberculose ou a pneumonia, hoje em dia, o câncer e as doenças cardiovasculares dispararam como as principais causas de morte por doenças. Dados de 2012 da Organização Mundial de Saúde revelam que, embora a incidência de câncer seja maior em países desenvolvidos, a proporção de mortes frente ao número de diagnósticos é muito maior em países menos desenvolvidos.

Na Austrália, por exemplo, a mortalidade por câncer está entre 20 e 25 por cento dos pacientes diagnosticados enquanto que em países do sudeste asiático virtualmente 80% dos pacientes que desenvolvem a doença morrem em decorrência dela. “A única explicação plausível para esse cenário nos países mais desenvolvidos é que estamos curando mais casos de câncer. Primeiro porque você diagnostica mais cedo, segundo porque você trata melhor”, elucida Kaliks.

Câncer de pele

Para o Brasil, no entanto, as perspectivas são mais sombrias. O câncer segue como a segunda causa de mortalidade do país, atrás apenas das doenças cardiovasculares. Para piorar esse quadro, nos últimos anos, o câncer cresceu tanto no número de incidências quanto em causa de morte. Alguns especialistas preveem que em poucas décadas o câncer estará ocupando a primeira posição no ranking nacional.

Na última estimativa divulgada pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), de 2014, o câncer de pele não melanoma ocupa o topo da lista dos tipos mais comuns no país, com 100,75 casos por 100 mil habitantes entre os homens e 82,24 entre as mulheres. Na sequência, aparecem o câncer de próstata e o câncer de mama.

Células cancerosas

O que é o câncer?

O câncer é a consequência de mutações genéticas nas células de algum órgão. Essas mutações fazem com que essas células adquiram a capacidade de se desenvolver, crescer e se multiplicar de maneira desordenada. Ao longo de sua evolução biológica, essas células vão adquirindo a capacidade de invadir outros tecidos, vasos e se espalharem pelo corpo.

“O que acaba levando o paciente ao óbito por câncer é justamente a disseminação de um câncer que nasce em um órgão, com um tumorzinho pequeno, que não é tratado adequadamente nesse começo, se dissemina e eventualmente causa metástases em algum órgão vital, como fígado, cérebro, pulmão e assim por diante”, afirma Kaliks.

O câncer ocorre como um evento natural ao longo do envelhecimento. Em uma minoria dos pacientes, pode ocorrer por hereditariedade, considerando aspectos genéticos. Na maioria dos casos, porém, as causas são atribuídas aos carcinógenos, como substâncias tóxicas, radiação, entre outros elementos.

Prevenção

Segundo Kaliks, a prevenção se divide em prevenção primária e secundária. Na primária, a ideia é evitar que o câncer ocorra e depende de fatores como a educação, o engajamento da população, a aderência à vacinação (no caso do vírus HPV) e o controle de elementos carcinógenos.

“Existe um grande número de cânceres que são decorrentes de alterações moleculares induzidas por fatores evitáveis como o tabagismo, má alimentação, a obesidade associada ao sedentarismo e o sol em excesso, por exemplo”, explica o médico. Já a prevenção secundária está associada ao diagnóstico precoce, que possibilita maiores chances de sucesso no tratamento do paciente oncológico.

Oren Smaletz

Tratamento

Oren Smaletz também é medico titular do Centro de Oncologia e Hematologia Einstein e falou sobre as opções de tratamento disponíveis mais indicadas atualmente. Segundo ele, a cirurgia sempre foi o tratamento inicial pra qualquer tipo de câncer, mas hoje pode ser acompanhada ou substituída por outras modalidades como a radioterapia, a quimioterapia, hormonioterapia, imunoterapia ou terapias alvo.

O médico alertou também sobre os benefícios diagnóstico precoce. “Quanto mais cedo o diagnóstico, menos radical é o tratamento. Aí temos a possibilidade de usar só uma modalidade terapêutica, o que é melhor para o paciente, tanto pelo lado do bem estar quanto pelo lado econômico”, explica Smaletz .

“Se a gente pegar essa geração que tem 20, 30 anos hoje, e desmistificar o câncer, ensinar o que pode ser feito para a prevenção do câncer e conscientizar essas pessoas de que o câncer não é só uma doença, mas são várias, e que a grande maioria delas são curáveis, é possível que quando essa geração tenha 50 ou 60 anos, nós tenhamos uma redução na mortalidade decorrente do câncer também no nosso país”, concluiu o médico Rafael Kaliks.

Foto 1: The Web site of the National Cancer Institute Foto 2: Sandra Adami


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