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Gerais

Você sabe para que servem as abelhas?

ONG luta para preservar os insetos responsáveis pela polinização de mais de 70% dos alimentos mundiais
Portal Namu
27/09/19

Quando o assunto é abelha "mel e ferrão", são as primeiras palavras que as pessoas pensam, segundo o meliponicultor Gerson Pinheiro. O especialista explica que pouca gente sabe que esses insetos possuem a nobre tarefa de polinizar as flores de 73% dos alimentos mundiais. “Precisamos aprender que o principal produto oferecido pelas abelhas é a polinização e não o mel e seus derivados”, conta Flavio Yamamoto, gestor ambiental que junto com Pinheiro fundou a ONG SOS Resgate de Abelhas Sem Ferrão.

Há hoje no Brasil cerca de 300 espécies diferentes catalogadas e quase ninguém conhece" afirma Yamamoto. Os especialistas possuem a missão de esclarecer a falta de conhecimento sobre abelhas no país através de palestras e projetos de educação ambiental. O projeto foi criado com a ideia de difundir a importância desses insetos na manutenção da biodiversidade brasileira. A ONG também resgata enxames que seriam descartados e os colocam em outro local para garantir sua sobrevivência.

Guardiãs da biodiversidade

"O grande problema que temos há muito tempo no Brasil são as monoculturas. As abelhas precisam visitar tipos diferentes de flores para ter tipos diferentes de substâncias para poderem se alimentar" esclarece Pinheiro. Ele conta também que grande maioria das abelhas brasileiras não possui ferrão e podem ser criadas em qualquer quintal. "Nossas abelhas são mais produtivas, fazem mel de melhor qualidade e esse mel não é vendido por falta de regulamentação".

Flor de maracujá

"A planta do maracujá, por exemplo, depende única e exclusivamente de uma abelha brasileira chamada mamangava. O tamanho dela é exato para essa planta. Se matarmos a mamangava não há como polinizar o maracujá". Segundo Pinheiro, outras abelhas menores até visitam a flor, mas não conseguem alcançar o órgão feminino da planta. “Eu cheguei à conclusão de que abelha nunca é demais. Quanto mais abelhas tiver no entorno, mais plantas, flores e frutos haverá no local e isso faz com que as arvores frutifiquem mais, soltem mais sementes. As abelhas aumentam de forma natural a quantidade de plantas”.

Yamamoto aponta que há estudos que comprovam a eficácia da polinização feita por abelhas no plantio de morangos, por exemplo. “Essa ação melhora em 50% a produtividade e em 70% a qualidade desses frutos”.

Abelhas brasileiras desprezadas pela legislação

“O resgate das abelhas sem ferrão hoje é o principal projeto do instituto ATÁ”, conta Bruno Zucato, coordenador executivo da organização idealizada pelo chef Alex Atala. “Nós trabalhamos para mobilizar as pessoas sobre o tema e para que comercialização do mel seja permitida pela legislação”. Zucato explica haver um papel duplo nessa questão, que envolve desde conscientização da população e o desenvolvimento da cadeia produtiva. A ideia é gerar pesquisas que fomentem mudanças na legislação.

“Não há legislação para a criação de abelhas nativas do Brasil. No Ministério da Agricultura, o produto das nossas abelhas não é considerado mel. Somente aquele produzido pela abelha-europeia (Apis mellifera), espécie exótica, possui regulamentação para ser vendido” explica Yamamoto. Isso ocorre, segundo ele, porque o Ministério determinou que os méis devem ter umidade abaixo de 18%. Os que são produzidos pelas abelhas brasileiras possuem níveis de umidade entre 20 e 30%. "Temos o melhor mel, mas não podemos comercializá-lo em razão da falta de leis para isso. De certa forma, a legislação favorece a destruição das abelhas nacionais", complementa.

"O ATÁ possui um trabalho de aproximação e contato com a esfera publica para que essa situação seja transformada legalmente", diz Zucato. Segundo ele, as pesquisas sobre as características dos méis e como eles devem ser desenvolvidos para chegar ao mercado são feitas pelo contato com pequenos agricultores e comunidades indígenas de todo o país.

O perigo dos agrotóxicos

Flávio Yamamoto alerta que os defensivos agrícolas afetam o sistema de orientação espacial das abelhas, o que dificulta o retorno para o enxame de onde vieram. Os agrotóxicos também interferem na busca por alimentos. "É extremamente perigoso criar abelhas, com ou sem ferrão, perto de grandes plantações. Corre-se o risco de consumir mel contaminado".

Criança observa pequena colmeia de abelhas

"A primeira grande política publica que pode transformar essa realidade é a educação ambiental" aponta Gerson Pinheiro. O especialista acredita que iniciativas impulsionadas pela transmissão de conhecimento sobre a importância e a necessidade das abelhas podem impulsionar leis que favoreçam o crescimento da agricultura urbana e da agricultura orgânica familiar. "As pessoas matam esses insetos não por maldade, mas por falta de conhecimento", completa.

"Na cidade de São Paulo é comum ver a especulação imobiliária derrubar tudo para construir prédios. Nós vamos até esses locais onde havia enxames para resgatá-los. Com uma lista de de guardiões que temos na ONG e pessoas que tem interesse em ter um enxame em casa, fazemos com que o enxame sobreviva. Ele se torna uma fonte de distribuição de conhecimento e é nessa multiplicação que acreditamos", relata Pinheiro. Yamamoto explica que qualquer pessoa pode ter um enxame em casa. "Para isso basta querer cuidar delas e colocar plantas no local".

Crianças observam abelhas em pequenas colmeias

A ONG em parceria com o Instituto ATÁ promoveu em novembro último uma palestra seguida de degustação de méis originários de diferentes ecossistemas do País. O evento teve o objetivo de informar os presentes sobre a importância de preservar os enxames e mostrar que o paladar condicionado ao sabor do mel convencional encontrado nos mercados pode ser surpreendido pelas diferentes produções das abelhas nativas brasileiras.

Foto 2: Divulgação SOS Abelhas Sem Ferrão 
Foto 3: SOS Abelhas Sem Ferrão
Fotos 4 e 5: Ricardo Lopez


Veja também:
Natureza e comunidades tradicionais resistem no litoral de SP e RJ
Projeto Garoupa luta para preservar áreas marinhas brasileiras
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