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Cosméticos sem crueldade

A prática de testes em animais ainda continua apesar das alternativas laboratoriais existentes

Bunny Jager / Flickr: Make-up palette / CC BY-SA 2.0

Os cosméticos com certificação cruelty free têm ganhado cada vez mais espaço nos mercados

Bárbara Degrandi ganhou seu primeiro kit de maquiagem aos 14 anos e se apaixonou pelo mundo dos blushs e batons. Em 2008, decidiu levar seu passatempo a sério. Resolveu estudar maquiagem artística em seu trabalho de conclusão do curso. Na época, ela era estudante de artes visuais na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Com a aprovação da banca e diploma nas mãos, ela decidiu que os pincéis e sombras entrariam de vez em sua vida. Atualmente como maquiadora, seu trabalho não segue a linha dos profissionais comuns: ela utiliza itens que não são testados em animais (cruelty free) ou não possuem componentes sintéticos e de origem animal (cruelty free vegano).

Em entrevista ao Portal NAMU, Degrandi contou que seu interesse por maquiagem cruelty free surgiu em 2009, quando ela se tornou vegana (vegetarianos estritos que não utilizam produtos de origem animal, como queijo, iogurte, couro etc). A mudança foi gradual, pois conforme os itens convencionais acabavam, elas os substituía por aqueles não testados em animais.

No Brasil e no mundo, há vários sites sobre o assunto. A maioria se satisfaz em fornecer listas, nas quais é possível saber quais marcas de cosméticos fazem testes ou não em animais. Há, no entanto, pouca informação sobre as diferenças da composição química desses produtos.

Um dos produtos mais discutidos sobre a toxicidade de seus elementos é o batom. Os cosméticos cruelty free geralmente não contém parabenos, substância sintética utilizada como conservante que, em excesso e ao atingir a corrente sanguínea, pode alterar os níveis de estrogênio e tem traços de chumbo, mineral que pode reduzir a produção dos glóbulos vermelhos se ingerido em grandes quantidades.

Controle de qualidade e ativismo

Apesar de a causa que a maquiagem cruelty free defende ser justa, é importante que haja um parâmetro de qualidade para os produtos. Vegetarianos e simpatizantes dos direitos dos animais recorrem às certificações emitidas por duas ONGs internacionais: a People for the Ethical Treatment of Animals (PETA) e a Vegan Society. Ambas possuem selos que atestam a veracidade das informações fornecidas nos rótulos dos produtos.

A fiscalização no Brasil da qualidade dos cosméticos comercializados é feita pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que tem o papel atestar se os dados fornecidos pelas empresas sobre testes em animais são verdadeiros.

Cruelty Free

Como o movimento cruelty free ainda não é hegemônico, a troca de informações entre ativistas é uma importante ferramenta. Há muitos sites que se dedicam a divulgar listas de “empresas amigas”, ou seja, aquelas que se comprometem a ter um processo de fabricação ética.

Normalmente, as listas são feitas com base em declarações enviadas pelas fabricantes de produtos de beleza. De acordo com Estela Aragon, coordenadora de projetos da ONG Projeto Esperança Animal (PEA), “as empresas nacionais que estão em nossas listas nos informam por documento assinado por representante legal como são realizados os testes”.

Para tentar evitar que as empresas forneçam dados incompletos ou errados, é possível entrar em contato para saber detalhes do produto que se deseja comprar. As perguntas, que devem ser diretas, são importantes para descobrir se a empresa terceiriza o trabalho de testes em animais para parecer idônea.

Por que utilizar produtos cruelty free?

Para os defensores de testes em animais, os experimentos in vivo são um meio para assegurar a utilização em seres humanos e evitar processos judiciais em casos de problemas de saúde decorrentes ou até mortes. O avanço do movimento em defesa dos direitos dos animais ajudou a pressionar os cientistas a desenvolverem métodos menos cruéis, mas não sem alguns obstáculos de acordo com a Anvisa: “A dificuldade no emprego de métodos alternativos hoje reside na avaliação da reatividade de sistemas mais complexos, o que é, na prática, o caso da avaliação de risco toxicológico”. Isso significa que, para a agência, os métodos disponíveis atualmente não conseguem reproduzir com precisão os resultados conseguidos quando testados em animais.

Esse argumento não convence os ativistas. Já existem no mercado produtos para que conseguem substituir os testes em animais, como o Episkin, substrato de colágeno que reproduz a epiderme humana em testes de corrosividade, o teste Ames, destinado a pesquisar em bactérias o potencial cancerígenos de substâncias, entre outros. Para eles, a evolução científica deve servir à eliminação do sofrimento dos animais nestes casos.

Independentemente da adesão ao vegetariano ou organizações pró-animais, os experimentos podem ser considerados controversos. Um deles é a aplicação de uma substância no espaço entre a pálpebra e o globo ocular de coelhos para avaliar a irritação que um produto pode causar nos olhos dos seres humanos.

“Enquanto alguém se embeleza, um animal é lesionado”, enfatiza Bárbara Degrandi. “Se preocupar só com a beleza sem saber como os produtos são feitos é uma irresponsabilidade muito grande. As pessoas precisam saber o que aconteceu para que tenham determinado produto em suas mãos. É só pesquisar, pois a informação está disponível em muitos sites confiáveis da internet”.

Foto 1: Shutterstock
Foto 2: PETA / Cruelty Free


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