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O que é

Poluição é qualquer tipo de contaminação de um ecossistema. Ela vai desde a bituca de cigarro jogada na calçada, passa pelos córregos e rios repletos de produtos químicos tóxicos ou resíduos provenientes dos processos industriais e do agronegócio e chega aos céus de qualquer cidade coberta de fumaça saída de fábricas, queimadas e escapamentos de automóveis.
Para piorar os efeitos desse fenômeno, a poluição é capaz de atingir paisagens que acreditamos intocadas. Mesmo a fauna e a flora dos locais mais distantes, existentes em áreas protegidas e geograficamente isoladas, são afetadas pelos resíduos criados por indústrias e cidades localizadas a centenas ou milhares de quilômetros, como no caso da chuva ácida.
Já nas grandes metrópoles, a poluição é um problema de saúde pública que afeta a todos. No entanto, ela é mais cruel com a
população mais pobre, mais exposta a essa situação. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 2 milhões de pessoas morrem em razão da poluição urbana.
A poluição do ar causada pelos seres humanos tem seu início com a descoberta do fogo, no período Quaternário, também conhecido como antropozoico — em função do surgimento do homem. Nessa época, enquanto o planeta passava por enormes mudanças climáticas, a população mundial surgia e se espalhava. Primeiro foram nossos ancestrais, os hominídeos (Homo erectus), que se alastraram da África para a Ásia e Europa. Depois, na última glaciação, aparece o ser humano moderno (Homo sapiens), que em pouco tempo chega à Austrália e América. Muito provavelmente, o Homo erectus foi o primeiro a carregar o fogo em tochas para dentro das cavernas.
Os seres humanos, por sua vez, ampliaram essa relação para níveis impressionantes. Primeiramente, utilizamos o fogo para nos aquecer, cozinhar, iluminar e proteger. Com o tempo, esses procedimentos se sofisticaram. Hoje, é possível dizer que tudo que existe é, em boa parte, fruto da descoberta e domínio do fogo por nossos antepassados. Nossa cultura, desde a primeira carne assada ou a primeira comida cozida até os ônibus espaciais e os tratamentos a lazer dos dias atuais, é fruto do controle que temos do fogo.
Essa habilidade humana, no entanto, não produziu apenas avanços. Ela é responsável pelo maior passivo da civilização atual: a poluição, a qual ganhou força no final do século 18 e começo do 19 com o surgimento da Revolução Industrial, no Reino Unido, onde maquinários movidos a vapor, alimentados com carvão mineral e vegetal, começaram a tornar as grandes cidades impróprias para a respiração humana. A partir desse momento da história mundial, tal problema ganhou contornos de catástrofe.
Poluição urbana
A Revolução Industrial trouxe também a necessidade de mão-de-obra nas indústrias, o que reduziu drasticamente o número de trabalhadores nas áreas rurais. Em razão disso, ocorreu o primeiro grande êxodo da história humana, quando pessoas do campo rumaram aos milhares para as grandes cidades europeias. Na primeira metade do século 18, Londres e Paris, tinham, respectivamente, 1 e 2,4 milhões de habitantes.
Isso gerou crescimento desordenado e muita poluição. A superlotação de cortiços e bairros pobres, com habitações sem saneamento básico, somada aos efeitos da poluição industrial produziram uma série de epidemias de cólera e febre tifoide. Em 1832, mais de 20 mil parisienses morreram em um surto de cólera. Em Londres, ocorreram crises semelhantes, muitas delas provocadas pelo aumento da quantidade de esgoto despejado no rio Tâmisa. Nesse momento, a expectativa de vida em Londres era de apenas 36 anos. Já em cidades como Liverpool e Manchester era ainda pior: 26 anos.
Em 1911, houve o primeiro registro de morte por poluição na capital britânica, em sequência no início da década de 50, no ano de 1952, na mesma cidade inglesa, aconteceu o grande smog. O fenômeno foi produzido por uma camada de fumaça tóxica causadora de milhares de mortes no Reino Unido. O clima no final de novembro e começo de dezembro, daquele ano, havia sido muito frio em razão das grandes nevascas em todas as regiões. Para amenizar a sensação de frio, toda a população londrina começou a queimar carvão dentro de suas casas, fazendo o nível de fumaça da cidade subir.
Com o tempo frio e pouco sol a poluição não se dissipou, causando então uma forte nebulosidade de gás carbônico, chamado de smog. No dia 9 de dezembro, depois de cinco dias da camada de fumaça em Londres, a poluição se dissipou, deixando um rastro de milhares de pessoas mortas, outras com doenças respiratórias e também muitas viagens que foram interrompidas por falta de visibilidade. No auge do fenômeno, as pessoas não conseguiam ver seus próprios pés.
Após o incidente acorrido em 1952, várias leis foram criadas para evitar que outra tragédia ocorresse, assim foram assinados os Atos de Ar Limpo, de 1956 e 1968. Até que os atos fossem aprovados pelo governo britânico, foi decretado que a população diminuísse a emissão de fumaça e as indústrias em converter os seus métodos para combustíveis sem o gás negro — o mesmo ocorreu em países como França e Estados Unidos.
Em 1956, um dos atos foi aprovado, porém no ano de 1962, em Londres, ocorreu outro tipo de smog com quase mil pessoas mortas, número menor que o da década passada, mas ainda preocupante. Nos anos subsequentes, esse tipo de fenômeno não ocorreu mais em função dos avanços tecnológicos de filtragem dos gases poluidores nas grandes indústrias e do uso da energia elétrica no interior das casas, mas os níveis de poluição continuaram altos.
Para piorar o quadro, esse mesmo processo de degradação ambiental aliado à rápida industrialização ocorreu em outras cidades da Europa e também da América do Norte. Em seguida, o movimento ocorreu também no Leste Europeu e, posteriormente, em locais da América Latina e da Ásia.
Em São Paulo, por exemplo, a população foi de 239 mil habitantes em 1900 para 2,2 milhões em 1950. Em 2000, a mesma cidade já tinha 10 milhões de moradores. Hoje, são quase 12 milhões. Esse crescimento não foi acompanhado por políticas públicas para dar conta da poluição que a cidade produz. Em razão disso, os índices de poluição na capital paulista são duas vezes superiores ao teto considerado aceitável pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Atualmente, esse tipo de ar poluído é responsável, segundo a OMS, pela morte de sete milhões de pessoas todos os anos no planeta. Quase não há lugar na Terra onde seja possível respirar sem correr risco de saúde. Conforme a OMS, somente 12% da população mundial vive em locais onde o ar pode ser considerado limpo

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