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São Tomás De Aquino

O que é

A metafísica tomística marca a chegada do conhecimento filosófico à Europa. Antes dele, todo esse aparato intelectual estava nas mãos dos pensadores árabes. Foi Aquino quem inseriu o mundo ocidental nesse debate. A obra desse pensador é a grande responsável pela assimilação do aristotelismo por parte do pensamento cristão.
Aquino reabriu a discussão sobre a fé e a razão. Aos longos dos séculos, o pensamento desse filósofo se tornou fundamental para compreensão sobre a revelação cristã. O trabalho de Tomás de Aquino, principalmente seus comentários sobre Aristóteles, são o fundamento de boa parte do pensamento ocidental.
Seu livro Summa Theologiae (Suma Teológica) praticamente se transformou na filosofia oficial da Igreja Católica. Os pontos mais importantes desta doutrina, que é conhecida como tomismo, são a teoria da abstração, de ato e potência, e o conhecimento analógico de Deus.

Histórico

Idade Média

Período da história ocidental que tem início com a queda do Império Romano, oficialmente no ano de 476, e termina no século 15 (como referência, a conquista de Constantinopla pelos turcos em 1453). É dividida em duas épocas: a Alta Idade Média, entre os séculos 5 e 10, e a Baixa Idade Média, do 11 a 15.

O feudalismo resulta das mudanças estruturais políticas, sociais e econômicas do Baixo Império Romano e do desaparecimento da atividade comercial, impulsionada pelo domínio islâmico das rotas marítimas nos séculos 10 a 12.

O contexto específico de grande desenvolvimento econômico e cultural que Tomás de Aquino vive no século 13 é de consolidação de alguns reinos e o encaminhamento para criação dos estados modernos, como a França, com Luís IX, a Inglaterra, com a Carta Magna, e a Itália, que deixaria de receber a influência do Sacro Império Germânico.

As atividades universitárias na Europa decorrem do fluxo comercial que volta a tomar força no século 13. Além de Oxford, na Inglaterra, Bolonha, na Itália, figura como um grande centro universitário, ministrando cursos de teologia e ciências naturais. Surgem escolas de tradutores, como a de Toledo, que resgatam boa parte da produção grega, latina e árabe até então desconhecida pelos europeus na Alta Idade Média. Tomás de Aquino utilizará as traduções feitas por Guillermo de Moerbeke sobre Aristóteles para inspirar sua filosofia.

Fundamentos

Relação entre fé e razão: os elementos imprescindíveis da filosofia tomista (de São Tomás) são reflexões eminentemente cristãs: o criacionismo, a imortalidade da alma, as verdades bíblicas e os evangelhos desdobrando-se em uma concepção de história linear e transcendente em oposição àquela cíclica da temporalidade do pensamento clássico.

Nessa relação entre fé (teologia) e razão (filosofia), há uma modificação substancial que rejeita a cisão averroísta entre a verdade da revelação e a verdade da filosofia, colocando-as em uma mesma chave para solucionar o problema da revelação.

Tomás de Aquino compreende haver uma única verdade e entre ambos os domínios há os preâmbulos da fé (a existência e a unidade Divina). Cada campo tem a sua particularidade, método e objeto de conhecimento: a filosofia ocupa-se das verdades naturais, alcançadas pela luz da razão e a teologia das verdades reveladas apenas pela da luz divina.

Tomismo e aristotelismo: Assim como para Aristóteles, a metafísica tomista é a ciência do ente enquanto ente, ou seja, a ciência das primeiras causas e dos princípios do ser. Ela aceita a teoria das quatro causas de aristotélicas, a teoria da substância e a teoria do ato e potência. A necessidade de introduzir o cristianismo, conciliando as verdades da fé e as do mundo sensível, levou-o a formular os três pilares teóricos na divisão entre essência e existência:

. A teoria das quatro causas: causa material (aquilo de que é feito alguma coisa); causa formal (o que é uma coisa); causa eficiente (o agente que a produz); e a causa final (a finalidade de alguma coisa);

. A teoria da substância: identificada com a entidade concreta e particular constituída de um composto indissolúvel de matéria e forma. É o modo privilegiado do ser (formas que estruturam um sujeito) aceitando a mesma ordenação das categorias acidentais de Aristóteles: quantidade, qualidade, relação, lugar, tempo, posição, estado, ação e paixão. As duas substâncias que possuem existência e que não sejam compostas de matéria e forma são os anjos e Deus;

. A teoria do ato e potência: refere-se, como Aristóteles, à substância tal como ela se apresenta em um momento determinado. É a capacidade ou possibilidade da substância virar algo distinto do que atualmente é: uma criança em ato tem a capacidade de se tornar homem em potência.

Sobre essência e existência: A conciliação entre a metafísica aristotélica e a interpretação cristã busca harmonizar as verdades entre um mundo eterno composto de uma multiplicidade de substâncias com uma mesma essência, a criação e Deus.

Tomás de Aquino utiliza a distinção estabelecida por Avicena entre essência e existência e define que a primeira, inalterável mesmo ao existir, está para a última assim como a potência está para o ato: pode-se compreender o que algo é independentemente ou não de suar realidade;

A essência é uma forma de ser em potência: sua tangebilidade depende de uma atualização feita por outra entidade que lhe permita essa condição, já que nada pode originar sua existência. Deus é o ser necessário (causa de si mesmo) que confere a capacidade das coisas contingentes (vinculadas às outras causas) se materializarem como ato e potência.

Assim, para Tomás de Aquino, a essência dos entes contingentes compreende a matéria e a dos espirituais identifica-se exclusivamente com a forma, já que carecem de substrato. Assim, é estabelecida uma cisão radical entre o Divino e o real.

É nessa separação que surge a possibilidade de se pensar seres com formas puras, como os anjos. Essa nova explicação tomista sobre a realidade implica remontar a própria concepção de Deus, considerado o homem e sua razão finita. A demonstração da razão soma-se à revelação da fé. Não se parte da ideia Divina nem se faz uma demonstração a priori de sua existência, mas, sim, de uma argumentação a posteriori pela via do conhecimento humano.

As cinco vias: Tomás de Aquino formulou as cinco vias da demonstração da existência Divina, expostas nos capítulos 2 e 3 da Suma Teológica. São elas:

. 1ª via – Deus como o primeiro motor imóvel. No encadeamento, há uma primeira causa para todas as coisas;

. 2ª via – As causas eficientes. Não surgem de si por não preexistirem e não se pode pensar em uma série infinita de causas eficientes sem que se remeta a uma primeira;

. 3ª via – A contingência. Trata dos seres que começam a se corporizar e que perecem, isto é, que não são necessários, o que comprova que se existem é porque há um outro tipo de causalidade que torna a sua materialização possível;

. 4ª via – Dos graus de perfeição. Os diversos graus de perfeição das entidades deste mundo (como a bondade e a beleza) implicam um modelo com o qual estabelecemos uma comparação, um ser verdadeiro e supremo, a que chamamos Deus;

. 5ª via – Sobre a finalidade. Quando observamos que os seres inorgânicos atuam com um fim, tanto os dotados de conhecimento e inteligência como os que não as possuem são guiados por um mais inteligente que ordena todas as coisas naturais.

Antropologia e psicologia: Para Tomás de Aquino, o homem é constituído de alma (forma) e corpo (matéria). Essa unidade é composta pela alma racional, única configuração substancial que enforma imediata e diretamente a matéria-prima. Assim, a alma é o que regula todas as funções da corporeidade humana como princípio vital e do conhecimento.

As faculdades de potencialidade da alma são categorizadas hierarquicamente em vegetativas (nutrição e crescimento), sensitivas (sentidos externos, como imaginação e memória) e racionais (próprias da alma e do entendimento).

No entanto, nessa junção, Tomás de Aquino compreende que o homem é dotado de livre-arbítrio, ou seja, que seu comportamento não é totalmente determinado. Ele mesmo designa sua conduta e meios para alcançar seus objetivos.

O problema do conhecimento: O conhecimento é resultado dos materiais advindos dos sentidos. Eles produzem a sensação e o modo como são recepcionados pela alma.

Não há intelecção nem materialidade pura, mas formas que só podem ser captadas na substância – e só pelos sentidos – em colaboração com a imaginação e memória e produzir uma imagem sensível da substância. Esse processo de abstração consiste em separar intelectualmente o universal do particular existente na substância concreta: a representação conhece a forma e não a matéria, enquanto esta permanece incognoscível.

Assim, ainda que o ponto de partida do conhecimento seja o sensível, o corpóreo, seu objeto é a forma, o imaterial. Sobre as substâncias imateriais (os anjos e Deus), Tomás de Aquino afirma que não é possível conhecê-los diretamente, mas somente por analogia, na medida da possibilidade de se ter um conhecimento dos princípios e das causas do ser.

Ética e política: Tomás de Aquino compreende, assim como Aristóteles, que a felicidade é uma finalidade última, uma teleologia de todas as ações humanas. No tomismo, em vez de constar apenas como a possessão do conhecimento dos objetos mais elevados (pela teoria da contemplação), ela também se identifica com a contemplação de Deus, causa de todas as causas, de acordo com sua concepção transcendente do ser humano.

No homem, como particular e concreto, encontram-se as virtudes morais e as intelectuais. Sobre ele recai o peso de ter de deliberar. Todo ato de eleição da conduta busca fazer o bem e evitar o mal, que no domínio prático possui o mesmo valor para os princípios do conhecimento no âmbito teórico (a identidade e não contradição). A lei moral, na medida em que o homem é um produto da criação, está baseada na lei eterna divina, isto é, a lei natural está unida à sabedoria transcendente da lei eterna.

Na política, encontramos uma complementação cristã à compreensão de Santo Agostinho em A Cidade de Deus (Jerusalém) e a Cidade Terrestre (Babilônia), identificadas, respectivamente, como igreja e Estado pagão e com adaptações para o contexto político e econômico da época de Tomás de Aquino. O Estado, em sua relação de submissão à igreja, deve buscar o bem comum social e legislar de acordo com a lei natural em virtude do fim transcendente do homem.

A influência aristotélica das tríades de formas boas e más de governo no pensamento tomístico é grande, embora a monarquia figure como a que proporciona maior grau de unidade e paz.

Fontes e inspirações

Idade Média

Período da história ocidental que tem início com a queda do Império Romano, oficialmente no ano de 476, e termina no século 15 (como referência, a conquista de Constantinopla pelos turcos em 1453). É dividida em duas épocas: a Alta Idade Média, entre os séculos 5 e 10, e a Baixa Idade Média, do 11 a 15.

O feudalismo resulta das mudanças estruturais políticas, sociais e econômicas do Baixo Império Romano e do desaparecimento da atividade comercial, impulsionada pelo domínio islâmico das rotas marítimas nos séculos 10 a 12.

O contexto específico de grande desenvolvimento econômico e cultural que Tomás de Aquino vive no século 13 é de consolidação de alguns reinos e o encaminhamento para criação dos estados modernos, como a França, com Luís IX, a Inglaterra, com a Carta Magna, e a Itália, que deixaria de receber a influência do Sacro Império Germânico.

As atividades universitárias na Europa decorrem do fluxo comercial que volta a tomar força no século 13. Além de Oxford, na Inglaterra, Bolonha, na Itália, figura como um grande centro universitário, ministrando cursos de teologia e ciências naturais. Surgem escolas de tradutores, como a de Toledo, que resgatam boa parte da produção grega, latina e árabe até então desconhecida pelos europeus na Alta Idade Média. Tomás de Aquino utilizará as traduções feitas por Guillermo de Moerbeke sobre Aristóteles para inspirar sua filosofia.

Interligações

Fontes de pesquisa

TOMÁS DE AQUINO, São. O ente e a essência. São Paulo: Vozes, 1995.

BIOGRAFÍAS Y VIDAS. São Tomás de Aquino.

Disponível em: http://www.biografiasyvidas.com/biografia/t/tomas_deaquino.htm

Acesso em: 8 abr. 2014.

CAIRN.INFO. Saint augustin et le problème du mal: la polémique anti-manichéenne.

Disponível em: http://www.cairn.info/article.php?ID_ARTICLE=IMIN_019_0109

Acesso em: 11 abr. 2014.

ENCYCLOPÉDIE DE L’AGORA. Saint Thomas d’Aquin.

Disponível em: http://agora.qc.ca/Dossiers/saint_thomas_daquin

Acesso em: 11 abr. 2014.

MERCABÁ. Santo Tomás de Aquino.

Disponível em: http://www.mercaba.org/Filosofia/AQUINO/cartel_tom%C3%A1s_de_aquino.htm

Acesso em: 8 abr. 2014.

PHILO ACCESSUS. Tomás de Aquino.

Disponível em: http://ifilosofia.up.pt/meirinhos/accessus/tomas_de_aquino

Acesso em: 11 abr. 2014.

REVISTA CULT. O cativeiro libertador.

Disponível em: http://revistacult.uol.com.br/home/2010/03/o-cativeiro-libertador

Acesso em: 8 abr. 2014.

__________. Por uma teologia da beleza.

Disponível em: http://revistacult.uol.com.br/home/2010/03/por-uma-teologia-da-beleza

Acesso em: 8 abr. 2014.

TORRE DE BABEL EDICIONES. Santo Tomás.

Disponível em: http://goo.gl/ZaSP0x

Acesso em: 8 abr. 2014.

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