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Medicina Integrativa

Doenças do coração são as que mais matam no Brasil

O médico cardiovascular Waldemar Paschoalino fala sobre as causas e as complicações dessas enfermidades
Bruno Torres
27/09/19

As doenças cardiovasculares (DC) representam as principais causas de morte no mundo. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), são cerca de 400 mil óbitos a cada ano no Brasil e 17 milhões no mundo.

As pessoas que apresentam maior risco de desenvolver as doenças cardiovasculares - os chamados grupos de risco - são as que apresentam colesterol e pressão alta, diabetes, obesidade e tabagismo, fatores geralmente agravados pelo sedentarismo. O médico cardiovascular Waldemar Paschoalino Junior, de Araraquara, interior de São Paulo, fala ao Portal NAMU sobre esse tipo de doença e seus desdobramentos.

Portal NAMU: Quais são as principais doenças cardiovasculares? Como elas ocorrem e quais sãos os sintomas?
Waldemar Paschoalino: O infarto do miocárdio, o acidente vascular cerebral (AVC) e o derrame, são as doenças mais sérias. Depois, existem a insuficiência cardíaca, a hipertensão arterial e outras.

O AVC é uma pequena veia que se rompe no cérebro. Ele pode ser isquêmico, causando somente uma perda da força muscular no braço ou na perna, ou hemorrágico, que é bem mais grave. Este tipo de AVC causa um sangramento no cérebro que, dependendo do grau, pode demandar cirurgia para drenar o sangue acumulado. 

Os principais sintomas do derrame são dor na cabeça, na nuca e a paralisação do braço. A pessoa pode perder desde movimentos musculares até ter a fala afetada, temporária ou permanentemente. 

Já os principais sintomas do infarto do miocárdio são as dores no peito que apertam e irradiam para os braços, dores na mandíbula, suor frio e ânsia de vômito. Ele ocorre quando uma artéria do coração é obstruída por um coágulo ou por uma placa de gordura, impedindo que chegue a quantidade certa de sangue até o músculo cardíaco. O resultado é a insuficiência cardíaca ou, em casos mais graves, a morte súbita.

Quais os principais fatores que podem desencadear uma DC?
As causas principais são o descontrole do diabetes, da pressão arterial, o sedentarismo, a obesidade, o colesterol e triglicérides altos. Além do consumo de cigarro.

O diabetes é um fator que precisa de muita atenção. O número de diabéticos no Brasil aumentou muito por conta da má alimentação, do sedentarismo e da obesidade. Com o tempo, ele vai diminuindo os vasinhos, prejudicando as pequenas circulações. É assim que o diabético começa a sofrer problemas de circulação, há pessoas que até sofrem amputações. Nas grandes artérias, as coronárias, a doença vai provocando um aumento de gordura, que diminui o espaço da artéria. É onde as placas de gordura alojadas nas paredes se soltam, provocando o infarto.

O fumante corre mais risco de desenvolver uma DC?
O tabaco é um vasoconstritor. Isso quer dizer que ele faz com que as artérias se fechem com o tempo, percam o calibre, aumentando o risco de hipertensão arterial ou de um AVC. Sem mencionar os problemas pulmonares como o enfisema [é uma irritação respiratória crônica quase sempre causada pelo fumo] e o câncer de pulmão.

Segundo o recente estudo Saúde Brasil, feito pelo governo federal, doenças como o infarto e o AVC representam 34,2% dos casos de morte entre as mulheres.

Elas são mais sensíveis às doenças cardiovasculares do que os homens?

Tudo depende do fator de risco. Temos que observar os familiares, principalmente pai, mãe e tios. Até a menopausa, porque a mulher tem menos riscos de ter uma doença cardiovascular por causa dos hormônios. Mas depende de fatores: se ela é fumante, se é obesa, se é sedentária, além da genética da família. Tudo depende dos fatores de risco que ela apresenta.

E o estresse? Ele pode influenciar no desenvolvimento de uma doença cardiovascular?
Hoje em dia, com o nosso estilo de vida de “correria”, o estresse é um fator de risco, principalmente para o infarto e a angina do miocárdio [dor ou desconforto na região anterior do tórax causado pela quantidade insuficiente de sangue e oxigênio]. Por isso, o exercício frequente ajuda, já que tem o poder de amenizar o estresse por meio do relaxamento.

E como a má alimentação pode afetar o sistema cardiovascular?
Alimentos em geral que costumam aumentar o colesterol, as triglicérides e causar o diabetes, que são fatores de risco para as DC, devem ser evitados. Lanches, fast food, carne vermelha e carnes gordurosas, embutidos como presunto, salame, refrigerantes, doces. Isso deve ser reduzido do consumo diário, o que não significa que você não possa comer um pouco no final de semana.

Hoje em dia, as pessoas comem carne vermelha todos os dias porque é mais fácil preparar um bife. Então é preciso mudar, adotar uma dieta mais sadia. Uma dica é consumir mais peixes, que têm ômega 3, substância que ajuda a diminuir o risco de infarto e de derrame, além de preferir os legumes e saladas aos alimentos industrializados.

Que hábitos de vida a pessoa deve manter para garantir o bom funcionamento do sistema cardiovascular?
Como disse, a alimentação tem um papel fundamental para evitar a DC, principalmente uma dieta com pouca gordura. E outra coisa importante é o exercício físico frequente. O ideal é três vezes por semana, com meia hora de exercício aeróbico. Fazendo exercícios com frequência, o risco de ocorrência dessas doenças diminui.

É importante também que a pessoa que não pertence a nenhum grupo de risco visite um cardiologista pelo menos uma vez por ano. Se você tem um pai ou algum parente que sofreu um enfarte com menos de 55 anos, ou uma mãe ou familiar que sofreu enfarte com menos de 65, precisa ficar mais esperto. Nesses casos, é mais indicado que a pessoa visite o cardio pelo menos de seis em seis meses, e esteja atento ao exame de sangue para notar alterações no colesterol, glicemia, triglicérides e ácido úrico.

Foto: https://www.torange.biz / CC BY 4.0; Cristian C / Flickr: Medical Instruments / CC BY-SA 2.0


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