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Energias

Energia nuclear: Brasil insiste no erro

Na contramão das tecnologias renováveis, país deve inaugurar Angra 3 em 2018 e planeja outras quatro centrais
Portal Namu
27/09/19

O Brasil é um país com grande potencial de geração de energias renováveis. Assim, a implantação de tecnologias e pesquisas que ampliem esse setor é urgente. Na contramão dessa necessidade, o investimento de dinheiro público nas usinas nucleares de Angra dos Reis continua. Um estudo realizado pela Universidade de São Paulo, a pedido do Greenpeace, em 2008, constatou que a produção de energia nuclear é cara e inviável.

Chamado de "Elefante Branco – os verdadeiros custos da energia nuclear"1, o levantamento investigou dados apresentados pelo governo na qual a Eletronuclear, empresa brasileira responsável pela manutenção e produção de energia atômica, apresenta dados que colocam essa energia como viável técnica e economicamente falando. Esse motivos levaram o Greenpeace a investigar através do Instituto de Energia e Ambiente e do Grupo de Pesquisas em Energia da USP os dados apresentados pela estatal.

Investimento pesado

Hoje, apenas 1,4% da energia nacional é proveniente dessa fonte, mais uma evidência de que o país não depende dessa produção. Essa energia é proveniente das usinas Angra 1 e Angra 2 e está previsto para 2018 a inauguração de Angra 3, além de mais quatro usinas até 2030. A pesquisa revelou os altos custos e o atraso que ficam ocultos dentro do que foi chamado de "aventura nuclear". A análise reforça, sobretudo, a urgência de discutir de forma democrática as escolhas dos modelos de geração de energia no país. 

De acordo com a pesquisa, são necessários mais R$ 9,5 bilhões para a finalização da unidade de Angra 3. Segundo a pesquisa, com R$ 7,2 bilhões seria possível construir um parque eólico com a capacidade de 2.700 MW, esse total representa o dobro do que será produzido por Angra 3. Um parque eólico produziria essa energia e evitaria a convivência com os perigos de contaminação e acidentes nucleares. 

Energia do passado e não do presente

Esse modelo de energia não é considerado renovável ou limpo, mesmo que não emita gases de efeito estufa. Os perigos da produção nuclear estão diretamente ligados à radiação e à dificuldade em descartar os resíduos tóxicos. Por outro lado, ela é considerada muito eficiente por gerar grande quantidade energia com pouco combustível, ou seja, seu rendimento é maior se comparada às opções sustentáveis, como a energia eólica e solar.

Até a década de 1980, a energia nuclear conquistava governos de parte do mundo, principalmente nas regiões sem recursos hídricos, como França e Japão. Em razão dos consecutivos acidentes nucleares (Chernobyl e Fukushima), essa matriz tem perdido espaço no mercado internacional. De acordo com a Associação Nuclear Mundial (WNA), 11% da eletricidade consumida no planeta vêm de usinas que transformam as reações atômicas em energia. 

Como é produzida a energia nuclear?

Existem duas formas de produzir essa energia: a fissão nuclear e a fusão nuclear. No primeiro caso, o núcleo do átomo é dividido em diversas partículas por meio de uma reação em cadeia. Na fusão, dois ou mais núcleos se unem para produzir um terceiro elemento. As usinas nucleares operam com o sistema de fissão. Os reatores de fusão nuclear ainda não viáveis economicamente.

O urânio é o elemento químico utilizado para a produção do combustível nuclear. Ele é enriquecido e transformado em pastilhas de alto potencial energético. Dentro do reator, esse material é inserido em varetas que aquecem a água e a transforma em vapor, que é pressurizado e movimenta uma turbina que aciona um gerador elétrico. O vapor restante vai para um condensador e é resfriado pela água do mar.

Tragédias

Usinas nucleares exigem altos níveis de segurança. Mesmo com sistemas eficientes, há registros de acidentes graves envolvendo estruturas desse tipo. Em 1986, a explosão do reator da usina de Chernobyl, na Ucrânia, causou a maior contaminação nuclear que se tem notícia. A nuvem radioativa chegou até os países centrais da Europa. Um dos mais recentes e impactantes ocorreu no Japão, em 2011. Após um terremoto de grande intensidade, dois reatores da usina nuclear de Fukushima sofreram explosões que contaminaram a costa leste do país. Por causa do acidente, altos níveis de radiação chegaram ao oceano Pacífico e as consequências até hoje são imensuráveis.

A estimativa feita em 2012 por pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, é de que ao menos 2,5 mil casos de câncer sejam ocasionados por esta radiação. Depois das explosões, 160 mil pessoas que moravam nas proximidades da usina foram retiradas de suas residências e uma área de 132 km² se tornou inabitável por décadas. No final de 2013, pesquisadores identificaram elementos radioativos em peixes pescados na costa da Califórnia, Estados Unidos. Na ocasião, o diretor de medicina e radiação da Universidade de Georgetown, Timothy J. Jorgensen, informou que isso poderia ter relação com o acidente japonês. Dos 50 peixes analisados, 33 apresentaram elementos radioativos em seus organismos.

Brasil nada contra a maré

Enquanto o governo brasileiro pretende expandir a produção nuclear, alguns dos maiores produtores mundiais têm fechado suas usinas. O desastre japonês fez muitas autoridades reverem seus projetos e estabelecerem novas metas. A Alemanha é um dos principais exemplos. O país anunciou, no último ano, o fechamento de algumas centrais (ao todo, o país tem 22) e pretende terminar com a produção nuclear até 2022. Para suprir a demanda nacional, os alemães investirão em energia renovável e expandir o setor em 23%.

A Bélgica quer fechar suas usinas atômicas entre 2016 e 2015 e a Suíça tem como meta encerrar a atividade de sua centrais em 2034. A segurança social e ambiental é o principal motivo para estas decisões, que também foram motivadas por cobranças da população e protestos de organizações ambientalistas.

Solução para o lixo nuclear

Entre os projetos de inovação e tecnologia que recebem investimentos do bilionário norte-americano Bill Gates está um sistema será capaz de transformar os resíduos nucleares em energia. A alternativa ainda está em estudo, mas pode ser uma solução para uns dos maiores problemas deste tipo de produção. O projeto foi anunciado por Gates em 2013 e, segundo ele, deve ajudar a gerar energia limpa para os EUA pelos próximos 800 anos. A estimativa é de que esteja em funcionamento apenas em 2030.


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