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Corpo e Mente

Tarja Branca e a terapia do brincar

Filme de Cacau Rhoden mostra a brincadeira como força criadora que deve estar no dia a dia de todos
Portal Namu
27/09/19

Depois de assistir a Tarja Branca - A revolução que faltava, as pessoas dizem ter vontade de brincar, dançar ou mesmo voltar no tempo em busca dos momentos da infância. Dirigido por Cacau Rhoden e produzido pela Maria Farinha Filmes e pelo Instituto Alana, o filme chegou às salas de cinema de todo o Brasil para mostrar que uma dose de brincadeira é fundamental.

Adultos, crianças, manifestações da cultura popular brasileira, literatura, música, arte e muita criatividade compõem o roteiro, que convida a brincar a vida de forma mais intensa. “Falamos do brincar como algo sério. O filme busca trazer o real significado dessa palavra para a vida das pessoas”, ressalta o diretor.

Relatos e retratos de vidas e histórias diferentes de gente grande ou pequena foram reunidos para que a ideia do brincar ultrapassasse o senso comum. “Nosso maior desejo é dividir as transformações proporcionadas pelo brincar ou simplesmente provocar a reflexão sobre como estamos aproveitando nosso tempo”, esclarece Rhoden. A obra pontua o lúdico como uma força criadora e livre que precisa ser utilizada no dia a dia e não somente como algo para se fazer quando criança.  

O tema é apresentado no filme através da história de pessoas famosas e anônimas que relatam a relação da brincadeira em suas vidas. A obra traça também um paralelo com a infância dos personagens e recria imagens de momentos passados com a finalidade de construir figuras sobre o brincar. 

Brincar é coisa séria. Significa viver em plenitude e liberdade. 

Portal NAMU: Saudade e nostalgia são palavras que se mesclam quando se trata de relembrar os momentos da infância. Qual a proposta do filme com relação a essas sensações?
Cacau Rhoden: O que o filme propõe não é necessariamente voltar no tempo, resgatar uma infância que talvez tenha sido perdida ou então a criança que mora dentro de nós. Nossa ideia é trazer a lembrança e a busca do espirito lúdico que na infância estavam presentes de uma maneira muito mais plena e livre.


Passamos a vida correndo para ganhar tempo e, na verdade, estamos perdendo tempo, acredita Rhoden

A dose de "tarja branca" diária se apresenta como um remédio capaz de tratar muitos males. Como usar o lúdico no cotidiano em uma sociedade onde se corre contra o tempo?
O importante é entender que o espirito lúdico permanece durante todas as etapas da nossa vida. E, o principal é tirar proveito dessa concepção, desse entendimento a respeito do quanto pode ser benéfico utilizar desse espírito em nosso cotidiano. Isso cria outra relação com o tempo e com o espaço também. As pessoas nas grandes cidades estão ganhando tempo correndo, na verdade estão perdendo tempo.

Emoção, alegria e vontade de mudança são alguns dos "efeitos colaterais" do filme. Qual a sensação do resultado?
É uma surpresa imensa ver a comoção dos espectadores, que se sentem instigados a repensar suas atitudes. Esse resultado é sinal de que o assunto de fato se trata de uma necessidade acumulada em vários lugares. Acredito que o filme já existia em cada um de nós, seres humanos. Nós resolvemos realizá-lo no sentido de ter como principal força motriz a renovação do ser humano.

Chegamos a um ponto em que a necessidade do lúdico é urgente para uma sociedade menos doente. Tínhamos um desejo imenso de apresentar isso para as pessoas, essa perspectiva. Pra mim também foi nova. Constatei que eu mesmo nunca havia parado para refletir a respeito do quanto me relaciono com esse espirito lúdico que é inerente ao ser humano.

Quando se usa a palavra revolução através do brincar, como entender a possibilidade de que todos se tornem revolucionários?
A revolução que faltava está em todo mundo, e na possibilidade de mudar o nosso dia a dia a nossa existência através dessa plenitude e da inteireza que temos quando somos ainda seres humanos muito novos e tentar trazer isso de volta para nosso cotidiano. É algo possível e certamente iremos viver numa sociedade muito melhor se isso acontecer. Além disso, as pessoas terão muito mais satisfação umas com as outras.

Como as brincadeiras da cultura popular brasileira são evidenciadas no filme e ressaltam o sentido da infância em paralelo com a ancestralidade dessas tradições?
O filme nasceu também com a vontade de a gente entender o que significam nossas tradições. Os mestres da cultura popular são pessoas que guardam o Brasil, a nossa cultura e, acima de tudo, que mostram pra nós quem realmente somos como povo.  Eles chamam essas manifestações de meu brinquedo e se intitulam brincantes. Isso não significa que a cultura popular seja o único remédio ou antídoto para os males que o sistema nos impõe, mas, se trata de mais uma alternativa de autoconhecimento e de reconhecimento. As brincadeiras representam nossa ancestralidade. 

 
Tia Maria, do Jongo da Serrinha, representa no filme a herança da cultura africana

Qual a importância de saber se autoconhecer?
É muito importante saber quem somos para que a gente não viva em um ciclo de insatisfação. O consumo, o mercado, o hábito de compra e satisfação que não satisfaz nossos desejos por completo fazem com que nunca nos sintamos inteiros. E isso acontece com as crianças atualmente, e depois se tornam adultos que irão consumir cada vez mais, o que forma um indivíduo consumista que continua insatisfeito pelo resto de sua existência. É preciso buscar satisfação naquilo que fazemos. Quando se faz o que se gosta, estamos brincando. A satisfação não está no consumo, está em fazermos o que gostamos e em conviver de forma verdadeira com a natureza e com os outros. 

O que provoca a diversidade do brincar representado nos personagens distintos que compõem o roteiro?
Escolhemos um leque variado de perfis e pessoas diferentes, justamente porque sentimos que havia uma necessidade intrínseca no filme de debater esse assunto com pontos de vistas diferentes. Por isso, diversificamos os personagens para que a gente entendesse junto com o espectador essa importância e essa urgência. Quebrar os paradigmas é muito mais fácil que imaginamos, mas temos medo e esse medo foi imposto pelo sistema. 

É preciso buscar satisfação naquilo que fazemos, e quando faz o que se gosta, estamos brincando. 

O escritor e poeta Marcelino Freire enfatiza no filme a importância do “olhar de menino” que todos um dia foram. Como isso auxilia na compreensão da trama?
Esse olhar deve nos fazer lembrar dos anseios daquela criança, de como ela se relacionava com o mundo e do quão livre já fomos. Precisamos lembrar também que somos moldados com o passar do tempo e é fundamental saber que brincar é coisa séria. Significa viver em plenitude e liberdade. Trata-se de um instante para refletir no que nós nos transformamos e saber que sempre é possível mudar. 

   

Fotos: Divulgação


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