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Medicina Tibetana

O que é

A medicina tradicional tibetana, conhecida como sowa rigpa, adotou os conhecimentos dos povos do Nepal com o saber trazido de regiões da Índia, Pérsia e China. Sua finalidade principal é buscar a prevenção e tratamento da saúde do ser humano em uma condição de equilíbrio com os recursos naturais e espirituais.

Origem do nome

Em nepalês, o termo sowa refere-se à cura ou bem-estar. Rigpa é a arte ou conjunto de tradições acumuladas historicamente e aplicadas conforme o saber e orientação de estudiosos. É ainda a utilização dos conhecimentos tradicionais adquiridos para cuidar da saúde em caráter preventivo ou paliativo e proporcionar longevidade e equilíbrio para o corpo.

Criação

A medicina tradicional tibetana considera que todos os fenômenos em que o corpo humano está incluído são baseados em cinco elementos que, em caso de desequilíbrio, propiciam o surgimento de doenças. O diagnóstico é feito por um médico com base na interpretação dos sintomas e fatores internos e externos.

Após a identificação, os medicamentos são prescritos conforme o critério de reequilíbrio e ingestão de compostos naturais com propriedades específicas. É importante lembrar que para a medicina tradicional tibetana, não há cura completa de um problema de saúde.

Os tratamentos são elaborados para cuidar do corpo em um plano de longo prazo que se adeque às condições de vida do indivíduo. Esse cuidado prolongado melhora a relação entre médico e paciente e confere à medicina um viés comunitário.

Formação do corpo humano com base nos cinco elementos:

  • Terra: base do corpo;
  • Água: coesão das partes;
  • Fogo: crescimento;
  • Ar: movimento;
  • Espaço: provém espaço para o crescimento.

Papel dos cinco elementos no desenvolvimento fetal:

  • Terra: musculatura, ossos, nariz e olfato;
  • Água: sangue, fluidos corporais, língua e gustação;
  • Fogo: calor corporal, compleição, formato dos olhos e visão;
  • Ar: respiração, formação da pele e tato;
  • Espaço: formação das cavidades corporais, orelha e audição.

Dissolução dos elementos no processo de envelhecimento (ou morte):

Terra (na água): perda capacidade de visualização de objetos;

Água: ressecamento das cavidades corporais;

Fogo: perda ou desaparecimento do calor corporal;

Ar: parada respiratória.

Saúde e doença:

Saúde: é o estado de equilíbrio, ou seja, a manutenção do balanço dos 25 componentes vitais do corpo. É composta de três energias principais, sete constituintes corporais e três excreções.

Doença: é o estado de desequilíbrio, ou seja, o excesso, o aumento, deficiência, diminuição, alteração ou agitação de algum dos 25 componentes que conduz à doença.

Energias do corpo (Nyes-pa):

  • rLung: ar
  • mKhris-pa: fogo
  • Bad-kan: terra e água

Vinte características do Nyes-pa:

rLung: aspereza, leveza, frieza, sutileza, dureza e mobilidade;

mKhris-pa: oleosidade, penetrância, calor, leveza, mau cheiro, purgação e fluidez;

Bad-kan: oleosidade, frieza, peso, embotamento, maciez, firmeza e elasticidade.

Características dos cinco elementos:

Terra: peso, estabilidade, suavidade, embotamento, oleosidade, secura e dureza;

Água: fluidez, frescor, peso, embotamento, oleosidade e flexibilidade;

Fogo: quentura, penetrância, secura, leveza, oleosidade e mobilidade;

Ar: leveza, mobilidade, frieza, aspereza, ressecamento e secura;

Espaço: base para os outros elementos.

Classificação das energias

Energia rLung: sustentadora, ascendente, pervasiva, acompanhadora do fogo, descendente.

Energia mKhris-pa: digestiva, transformadora da coloração, realizadora, fornecedora da visão, reguladora da compleição.

Energia bad-kan: sustentadora, decompositora, experienciadora, satisfatória, conectora.

As dez bases da aflição:

Os sete constituintes do corpo:

Essência nutricional: crescimento dos outros constituintes corporais;

Sangue: umedece o corpo e sustenta a vida;

Músculo: constitui o corpo;

Gordura: lubrifica o corpo;

Ossos: estrutura o corpo;

Fluido medular: transforma a essência em fluido regenerador;

Fluido regenerador: concepção

Os três excrementos:

Fezes: sustentam o canal alimentar;

Urina: liquida, umedece e expele;

Transpiração: suaviza a pele e sustenta os pelos;

Histórico

A medicina tibetana é uma das mais antigas da humanidade e seus conhecimentos são aplicados até hoje em toda a região do Himalaia. Os primeiros relatos de práticas médicas são de 3.500 a.C.

As dificuldades imposta pela altitude e clima frio da região influenciaram a busca por soluções de cura ou alívio de males corporais. Os tibetanos perceberam que a água quente era bastante eficaz no tratamento de problemas nas gengivas, nos dentes e indisposição digestiva, mais antiga queixa de saúde do ser humano.

Os resfriados eram combatidos com uma proteção térmica na região dos rins e as feridas cuidadas com a aplicação de um cicatrizante a base de manteiga ou gordura de iaque, bovino comum na região.

No século 6, o rei Srongstan Gampo (617-650) convidou uma junta de acadêmicos da Índia, China, Pérsia e Nepal para elaborar uma compêndio de práticas médicas denominado Mijig-Tsoncha, ou a Arma do Destemor, considerado o primeiro livro tibetano sobre medicina.

O rei Trisong Deutseng (710-785), no século 8, aproveitou os escritos e reuniu estudiosos de regiões próximas para a primeira conferência médica que tem notícia.

Yuthok Yongten Gonpo, o velho (708-833), considerado o pai da medicina tibetana, viajou pelo Tibete, China e Índia durante o século 8 e trouxe para a prática local os conhecimentos da ayurveda.

Yuthok Yongten Gonpo, o jovem (1126-1202), foi um médico brilhante que recebeu, no século 12, todos os ensinamentos do rGyud bZhi (quatro tantras) e ampliou os conhecimentos médicos tibetanos. Duas importantes escolas produziram vasto material científico entre os séculos 14 e 15.

O médico Jangpa Namgyal Daksang (1395-1475) fundou escola Jangpa na região norte do Tibete e a ele é creditada grande parte dos saberes do potencial botânico aplicado à medicina.

Zurkhar Nyamnyid Dorjee (1439-1475), seu discípulo, criou a escola Zur na região sul e igualmente a Yuthok Yongten Gonpo, o jovem, revisou os quatro tantras. A escola Chakpori foi criada e administrada pelo lama Desid Sangye Gyatso (1653-1705) no século 17. Tornou-se o maior centro de ensino na Ásia e nela surgiram os primeiros registros médicos ilustrados e comentados, fundamentais para o ensino da medicina. O estabelecimento do Men Tsee Khang, ou Instituto Astromédico de Lhasa, foi importante para o desnvolvimento da medicina tibetana.

Sua construção foi encomendada em 1961 pelo médico pessoal do 13º dalai lama, Khyenrab Norbu (1833-1962) com a finalidade de ampliar o campo de atuação médica, o nível de conhecimento e o acesso a medicamentos e terapias. Com a proibição da medicina tibetana em 1959 em razão da Revolução Cultural na China, Tenzin Gyatso, o atual dalai lama, reestabeleceu em 1961 o instituto em Dharamasala, na Índia.

Atualidade

As práticas de medicina tradicional tibetana continuam como meio de diagnóstico e tratamento ainda hoje não apenas no Nepal, mas em toda região do Tibete, Índia, Butão e China.

Atualmente, o mestre Chögyal Namkhai Norbu, fundador do Instituto Internacional para Estudos Tibetanos Shang Shung, na Itália, é o nome mais conhecido.

Fundamentos

A premissa fundamental da medicina tibetana é determinar qual é a constituição linfática (humoral) do indivíduo. Ela pode ser determinada desde a infância pela dieta e o comportamento da criança durante a gravidez.

Para o Sowa Rigpa, o corpo humano é dividido em cinco elementos: terra, água, fogo, ar e espaço. A terra é responsável pela musculatura, ossos, nariz e o sentido do olfato. A água refere-se ao sangue, fluidos corporais, língua e sentido de paladar. O calor do corpo, a compleição, formato dos olhos e visão são coordenados pelo elemento fogo. O ar cuida da respiração, formação da pele se sentido de tato. Por último, o espaço concerne às cavidades corporais, a formação das orelhas e audição.

Principais nomes

Srongstan Gampo (617-650 d.C.) foi o rei que unificou as regiões onde hoje é o Tibete. A introdução dos conhecimentos do budismo é creditada ao seu casamento com uma princesa indiana e uma chinesa. Esse contato com culturas diferentes permitiu a entrada de médicos e especialistas que enriqueceram e ajudaram a formatar as bases da medicina tibetana nos aspectos técnicos, astrológicos e espirituais.

Trisong Deutsen (718-785) é célebre por ter compilado os escritos de Srongstan Gampo e convocado a primeira conferência médica na história. Nesse evento, ele conseguiu reunir especialistas da Índia, China, Pérsia e Nepal no monastério de Samye, atual região do Nepal. A vinda do guru Padmasambava foi importante para a introdução dos estudos tântricos na escola vajrayana no budismo tibetano.

Yuthok Yongten Gonpo, o velho (708-833), foi o responsável pelo estabelecimento da medicina tibetana. Os conhecimentos da ayurveda que foram incorporados são resultado de suas viagens pelo Tibete, China e Índia em companhia de seu pai. Gompo compilou esse conteúdo e escreveu o rGyud bZhi, ou quatro tantras, obra composta por comentários e relatos de experiências.

Yuthok Yongten Gonpo, o jovem (1126-1202), reencarnação de seu predecessor, manteve grande contato com a medicina indiana. Recebeu os ensinamentos do rGyud bZhi e o reescreveu, além de ter elaborado o Cha-lag bCo-brGyad, ou os oito desdobramentos da medicina tibetana. No texto Yuthok Nyingthig, Gonpo discorre sobre a relação entre a prática e a espiritualidade.

Desid Sangye Gyatso (1653-1705), especialista em medicina, foi o responsável pela construção em 1969 da Escola de Medicina Chakpori, maior centro de ensino médico da Ásia da época. Foi apontado pelo quinto Dalai Lama como regente. Em sua gestão, reconstruiu o palácio Potala, em Lhasa. Escreveu vários livros de prática médica, entre eles o “Sorig Khogbook”, que conta a história da medicina tibetana.

Chögyal Namkhai Norbu (1938), fundador do Instituto internacional para estudos tibetanos Shang Shung em 1989 na Itália, é responsável pela difusão e manutenção do sowa rigpa fora do Tibete.

Fontes e inspirações

Uma das mais antigas práticas do oriente, a medicina tibetana remonta a 3.500 a.C. Em meados do século 8, muitos conhecimentos foram adquiridos da prática indiana da ayurveda.

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2 comentários

  1. Sempre quis saber cada vez mais sobre a medicina tibetana, tanto é que leio tudo que for a respeito. Saber que é possível estudar essa medicina pra mim é o máximo que se possa querer. Desde já agradeço pela oportunidade!

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