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Estética

Vale a pena parar de menstruar?

Livrar-se de cólicas e da TPM é um alívio, mas entre os riscos estão o sobrepeso e problemas na tireoide
Portal Namu
27/09/19

Interromper a menstruação pode ser uma saída fácil, prática e rápida para evitar dores, desconfortos, inchaços, cólicas, TPM e outros problemas ginecológicos. Mas os riscos para suspender o ciclo menstrual são altos. Além de barrar um processo biológico natural do organismo feminino, os medicamentos podem causar problemas nas glândulas tireoide e suprarrenal, variações de humor e sobrepeso. Grandes doses de hormônios também podem comprometer a harmonia dos ciclos corporais, causar tromboembolismo (perigosos coágulos nas veias) e crescimento anormal de células e tecidos (neoplasia).

Apesar dos perigos, muitas mulheres querem se livrar da menstruação. Em pesquisa com 340 voluntárias feita pelo Instituto Resulta em conjunto com a farmacêutica Libbs, foi possível observar um número significativo de mulheres entre os 18 e 30 anos que pensavam sobre a hipótese de suspender a menstruação. Cerca de 40% das entrevistadas disseram que gostariam de interromper o ciclo e 19% revelaram ter feito uso de algum método de supressão. O estudo foi realizado em 2013 nas cidades de São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Recife.

"Aumenta cada vez mais o número de mulheres que marcam consultas com o interesse em interromper a menstruação", conta o ginecologista e obstetra dos Hospitais Albert Einstein e São Luís, em São Paulo, José Bento de Souza, especializado em reprodução humana. “Todas elas já têm consciência dos resultados do tratamento”, pondera o médico.

Polêmica: o que é a menstruação?

"A menstruação é a descamação interna do útero, que ocorre quando a mulher não engravida. Ou seja, ela só acontece, pois a gravidez não deu certo", acredita o ginecologista José Bento de Souza. Há quem discorde. Dizer que a menstruação é uma gravidez que não deu certo não é um conceito, é um julgamento. Nossa natureza é de menstruar todo mês, isso não significa que todo mês estamos vivendo a frustração de não engravidar. A menstruação tem muito mais sabedoria no sentido de sua existência", defende o grupo de mulheres que promovem ações para ampliar o conhecimento do corpo feminino: Ana Paula Silva, adepta do conceito de Ecologia Feminina Bárbara Bolzani, terapeuta corporal Marjorie Sá, parteira e massoterapeuta Amanda Barral, permacultora; e Tamara Fogel, secretária da Educação do Estado do Rio de Janeiro.

"A natureza dá a mulher uma limpeza interna e saudável mensalmente. É preciso ter consciência do corpo, autoconhecer e ter informações antes de tomar atitudes drásticas contra o próprio metabolismo. Não menstruar pode ser negar a feminilidade", alerta Priscila Maria Colacioppo, enfermeira, mestre em obstetrícia e doutora em ciências pela Universidade de São Paulo (USP)

Riscos versus vantagens

"Todo medicamento gera riscos, existem inúmeros no caso dos anticoncepcionais. É muito complicado esse lado da medicina que tenta evitar um problema futuro usando intervenções com outros riscos às vezes maiores", pontua a obstetriz Colacioppo.

No entanto, suspender o ciclo menstrual pode ser usado por alguns médicos como método para tratar anemia, endometriose (inflamação do revestimento interno do útero), miomas (tumores benignos uterinos) e inibir a atividade de cistos de ovário. Ainda para o ginecologista José Bento de Souza a mestruação ao longo dos anos pode trazer complicações. "Modificações hormonais e naturais do organismo, que acontecem no corpo durante 10 anos, sem uma possível gravidez, por exemplo, podem facilitar o surgimento de endometriose, miomas, pólipos endometriais, anemia e agravar quadros de tensão pré-menstrual".

"Em casos mais graves, a mulher pode desenvolver cânceres de ovário, útero, endométrio e mama", alerta José Bento de Souza. Uma das possíveis vantagens também seria a diminuição das cólicas e sintomas da tensão pré-menstrual. "Com o uso de anticoncepcionais, os sintomas da tensão pré-menstrual podem ser amenizados", afirma Souza.


Apesar dos perigos, muitas mulheres optam por se livrar da menstrução da TPM

A estudante de jornalismo Beatriz Vital conta por que resolveu interromper ciclo. "Parei de menstruar porque minha ginecologista me deu essa opção. Tenho endometriose e por isso tinha muita cólica, até que comecei tomar anticoncepcional. A médica me falou que eu poderia escolher entre tomar o medicamento direto e não menstruar ou fazer as paradas. Até achei estranho e perguntei: 'Posso mesmo parar?' Ela respondeu que, no meu caso, não iria fazer diferença. Então resolvi parar, principalmente porque evito as cólicas. Mesmo com o tratamento para endometriose, quando menstruo tenho cólicas, não tão fortes como antes, mas tenho".

"Além disso, optei por evitar todo o desconforto da menstruação, de absorvente e tudo mais. Me sinto super bem, para mim já é normal. Há sete anos que tomo anticoncepcional, mas parei mesmo de menstruar há no máximo três", relata Vital. Já para o grupo de mulheres adepto da Ecologia Feminina,"dizer que algo natural como o ciclo menstrual sem concepção provoca endometriose, miomas, tumores é um discurso plastificado da indústria farmacêutica. É retórico.

Nesse universo não há espaço para psicologia e para a subjetividade da alma. O ciclo menstrual representa uma pausa para morrer, reavaliar e renascer. Ele é uma oportunidade de liberar emoções guardadas", sentencia o grupo. "Eu pessoalmente sinto muito por quem opta interromper o ciclo, assim como quem opta não parir e ter uma cirurgia eletiva ou não amamentar, pois são oportunidades de conhecer o intimo do corpo-ser-humano-mulher", afirma Ana Paula Silva.

Afeta a fertilidade?

Alguns médicos acreditam que a fertilidade não fica comprometida, pois deixar de menstruar por meses ou anos não significa necessariamente que a mulher pare de ovular.

Já a obstetriz Colacioppo acredita que tudo o que vai contra a natureza, paga-se um preço mais tarde e a infertilidade é um deles. "Quando a mulher que interrompeu o ciclo menstrual quiser engravidar, seu metabolismo estará alterado e a probabilidade de infertilidade aumenta absurdamente. Os laboratórios têm grande interesse em que as mulheres tomem hormônios para esse procedimento se perpetue."

No entanto, ela pondera que em casos de mulheres com miomas uterinos e outras complicações como câncer, pode haver alguma intervenção, mas a mulher saudável não deveria interferir no ciclo menstrual.

Quais os procedimentos?

Existem alguns métodos para quem optar por interromper o ciclo: "pílula anticoncepcional, anel contraceptivo, implantes subcutâneos, endoceptivos e injeções são os melhores tratamentos. Eles podem ser feitos em clínicas, mas cabe ao médico decidir o melhor alternativa de suspensão de acordo com cada paciente", pontua o ginecologia José Bento de Souza. "Os endoceptivos (dispositivos intrauterinos hormonais) contêm progesterona, que suspende a menstruação por um tempo médio de três a cinco anos. Vale lembrar que não existem métodos definitivos para interromper a menstruação, apenas temporários".

"A síndrome do ovário policístico é uma alteração hormonal que pode ser controlada com o uso de medicações, além da realização de tratamentos que melhoram a condição do quadro sem interrupção da menstruação".

Os preços médios do tratamento, segundo a ginecologista, obstetra e especialista em histeroscopia Bárbara Murayama, dependem da medicação escolhida, já que podem ser feitos com pílulas comuns, dispositivos intrauterinos (DIU) com hormônios ou implante. O tratamento pode ser feito em mulheres a partir de 18 anos.

Contraindicações

Nem todas as mulheres podem se submeter aos procedimentos. “Há pessoas que têm contraindicações ao uso de hormônios, como quem teve trombose ou pressão alta descontrolada. Quem não possui nenhum tipo de problema, dores de cabeça e diminuição da libido pode surgir como sintomas colaterais”, explica a Bárbara Murayama.

"Mulheres com problemas hepáticos ou de coagulação sanguínea devem ter seus casos melhor estudados em se tratando de medicamentos via oral", alerta o ginecologista José Bento de Souza. "Também no caso de doenças como a hipercromatose, em que há a produção excessiva de ferro no organismo, menstruar pode ser um grande benefício, pois a perda do sangue significa a diminuição da substância no corpo", explica.

Ingerir vitaminas E e B6, magnésio e o óleo de prímula são soluções mais naturais para aliviar a TPM

Solução natural

Escolhas naturais e eficazes para aliviar os sintomas da tensão pré-menstrual, de inchaços e de cólicas incluem realizar atividades físicas frequentemente que liberem endorfina, praticar yoga e outras técnicas de relaxamento, ingerir vitaminas E e B6, magnésio e o óleo de prímula, reduzir a ingestão de sódio e açúcar na alimentação, tomar bastante água e comer cereais, pães e arroz integral. Além de ajudarem a solucionar o problema, essas medidas são consideradas mais saudáveis e não agridem o organismo. "Dismenorreia ou cólicas menstruais podem ser amenizadas com acupuntura, fitoterápicos ou homeopatia. Assim como a TPM", recomenda Priscila Colacioppo.

Fotos: Shutterstock


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