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Crudivorismo: a culinária que abraça os orgânicos

A alimentação viva, também conhecida como crudivorismo, entra com destaque no menu nos restaurantes do Brasil
Da redação
27/09/19

A alimentação viva, também conhecida como crudivorismo ou raw food, em inglês, chega aos poucos no universo da gastronomia brasileira.

Não sem enfrentar algumas dificuldades: “é possível ter um restaurante que sirva apenas alimentos crus, mas os ingredientes são bem mais perecíveis”, conta a chef Malu Paes Leme, do bufê carioca Alimentação Inteligente, em entrevista ao NAMU.

O crudivorismo é um movimento que prioriza, além dos crus, um cardápio sem carne, com vários brotos, grãos e verduras.

Segundo essa tendência, não cozinhar evita a destruição de nutrientes e enzimas.

A alimentação viva traz ainda a valorização de produtos locais e o uso de alimentos orgânicos. Ingredientes tipicamente brasileiros entram assim para o dia a dia da gastronomia.

Métodos do crudivorismo 

A nova tendência gastronômica do crudivorismo não vêm apenas dos princípios dos chefs, mas também de uma resposta do público.

A procura por uma alimentação equilibrada em restaurantes cresceu no Brasil. Os dados são da pesquisa da Associação das Empresas de Refeição e Alimentação Convênio para o Trabalhador (Asset).

Os estabelecimentos perceberam um aumento de 61% no consumo de frutas, 69% nos legumes e verduras e 70% em sucos naturais.

o que é crudivorismo

Cardápio do crudivorismo

Uma das técnicas comuns em restaurantes adeptos ao crudivorismo é recriar os pratos comuns sem usar o fogão.

Pães, bolos, brigadeiros, queijos e até hambúrgueres podem ser refeitos com novos ingredientes.

“Eu não me preocupo realmente se o sabor vai ficar idêntico ao original, desde que fique saboroso e com a aparência muito parecida”, explica a chef.

Por outro lado, ela faz ressalvas sobre as reconstruções do crudivorismo: um prato recriado pode ficar menos equilibrado em termos nutricionais que o original. Isso porque pode conter excessos de sal e gordura.

Pratos mais simples que mantenham a comida natural são as recomendações da chef. Algumas de suas técnicas são usar tomate seco puro e reidratado para salgar os alimentos ou marinar ingredientes em temperos para intensificar sabores.

Crudivorismo e culinária viva

Idealizadores da empresa Zen%Bem, a dupla Elias Pereira e Wanessa Carla promovem aulas sobre culinária viva.

Em entrevista ao NAMU, contam que as reproduções também não são essenciais. “Não ficamos presos a cópias e reconstruções de receitas. Nossa infinita variedade brasileira de frutas, vegetais, folhas, temperos e legumes nos deixam livres para criar pratos saborosos e lindos”, declaram.

Alimentos orgânicos no crudivorismo

O crudivorismo vai além da opção por alimentos crus. Existem outras orientações, entre elas optar por alimentos orgânicos, não processados ou cultivados em casa para evitar o consumo de agrotóxicos, corantes e conservantes.

Os preceitos da alimentação viva já eram colocados em 1989, quando teve início o movimento slow food.

Alguns restaurantes também optam por esses ingredientes, mesmo não sendo voltados para o público da alimentação viva ou nem mesmo para a alimentação vegetariana ou natural.

“Os alimentos orgânicos, por serem mais naturais em seu cultivo, às vezes, não crescem no tempo exato que precisamos e pode ter falta de certos ingredientes”, conta a Malu Paes Leme. Ela recomenda cardápios mais flexíveis.

“Respeitamos o ciclo da natureza e damos preferência para alimentos da época, tendo sempre uma rotatividade de cardápio”, relata Elias Pereira e Wanessa Carla que seguem os mesmos princípios que Leme.

Melhor chefe do mundo

O restaurante paulista Maní, considerado um dos 50 melhores do mundo pela revista britânica Restaurant, é um dos locais que trouxe para a gastronomia comum ingredientes naturais.

A chef Helena Rizzo, eleita melhor chef mulher de 2014, se uniu ao agricultor José Ferreira. O agricultor tem um projeto agroflorestal em Paraty (RJ), no qual cultiva diversas plantas e vegetais lado a lado com a mata nativa.

Ele fornece para ela alimentos orgânicos em forma de ingredientes como taioba, flor de lírio, pupunha e bacupari, uma fruta de origem amazônica.

Alimentos orgânicos: valorização do nacional

“Acho fundamental utilizar ingredientes nacionais, primeiro porque o Brasil é rico em variedades de alimentos. E por serem alimentos locais, têm mais vitalidade e não geram tanto impacto ambiental quanto um alimento que viaja de um país para outro”, conta Malu Paes Leme.

Incentivada pelo movimento Slow Food, a valorização de alimentos orgânicos regionais para além do crudivorismo já é uma forte tendência em diversos estabelecimentos renomados como o Capim Santo, Mocotó e o Brasil a Gosto.

O consumo de produtos locais não é tão simples como deveria. Segundo a chef Malu Paes Leme, alguns ingredientes regionais não têm incentivos no mercado nacional.

“Muitos alimentos acabam nem sendo conhecidos por nós porque já são rapidamente exportados para outros países”, declara Paes Leme.

Para valorizar esses ingredientes surgiu o Instituto Atá, em 2013. O idealizador do projeto foi Alex Atala, chef do restaurante paulista D. O. M, que formou um grupo que planeja investir na pesquisa e estruturação de pequenas produções.

Fora isso, o conjunto procura idealizar uma indústria de carnes amigável ao meio ambiente e incluir alimentos exóticos na gastronomia.

Crudivorismo e feiras orgânicas

Quer se tornar adepto do crudivorismo, mas não sabe onde encontrar os melhores alimentos orgânicos em sua região? Para quem mora em São Paulo, isso não é mais um problema.

Afinal, nós montamos uma lista com 26 feiras de produtos exclusivamente de origem orgânica.

Em cada item é possível encontrar informações detalhadas de localização, contato e formas de pagamento. Confira toda a lista de feiras orgânicas aqui e comece sua transição para a culinária viva.

Curso de crudivorismo 

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